sexta-feira, setembro 28, 2007


Sai para a rua sem destino, caminha sem direcção, sente a brisa que a acarinha e nesses passos sozinha, absorta pisa o chão. Sente Paz, Serenidade e sem querer, sem reparar, converge em passo acertado o seu caminho para o Mar.
Descalça a sandália bege e ergue a saia comprida e com os pés na areia branca, ela segue decidida! Sente apenas o chamado, da maré que ali se abriga e sem medo, sem recato, dá a Alma à maresia. Paira doce o pensamento, espraia as mãos naquela areia...sente que ali se sacia, na noite de maré cheia. No bramir que se acentua nesta maré ao relento, faz das ondas o seu leito, e do vento pensamento. E sempre que a maré chega, coroada de branca espuma, deixa beijos marejadas e sentimentos na bruma...

segunda-feira, setembro 10, 2007

Plurais e escaladas...

- Hoje vamos subir o S. Brás!
Perplexa, detive-me naquele plural e até me ocorreu uma fala de um filme de animação (A Idade do Gelo) quando o Mamute explicava à Preguiça de uma forma clara que não o nós era pura ficção: “NÓS??? Aqui não há um NÓS, aliás se não fosse EU, nem existia um TU! Entendido?”. Confesso que tive uma enorme vontade de fazer papel de mamute, mas limitei-me a fingir que não tinha ouvido nada daquilo. Meia hora depois, tinha ao pé de mim, toda a gente equipada para escalar, subir e vencer o tal Monte de S. Brás. Máquina fotográfica, garrafas de água, calções, ténis…enfim… Quando me dei conta já tinha sido arrastada para o sopé do tal monte com toda a gente a decidir por onde havíamos de subir (haviam 2 caminhos), porque a descida seria feita por exclusão de partes.
Tenho vertigens! Yahp, daquelas vertigens que acrescem em perigosidade pela atracção pelo abismo… isto trocado por miúdos quer dizer, que face a altitudes que me apavoram, eu tenho uma tendência descontrolada para acreditar piamente que ultrapasso aquilo a voar. Ai Deuses… aquela manhã não estava nada a ser fácil… mas lá decidi seguir as hostes cantando para dentro o”i belive i can flyyyyyyyyyy” ( o que por si não era um bom presságio!), tentando verificar se as asas já tinham começado a crescer…
Os primeiros 100 metros já tinham ficado para trás e nós continuávamos a abrir caminho saltitando de pedra em pedra, de calhau em calhau, de silva em silva, de medronheiro em medronheiro, e a desbravar mato como se tivéssemos em plena selva amazónica. Eu começava a olhar para baixo, as pulsações aceleravam e o meu cérebro começava a emitir mensagens de “Pânico!” (e ainda nada de asas). Lembrei-me de um filme que tinha visto há pouco tempo e lamentei não ter ali um saco de papel para ir respirando lá para dentro, para evitar um ataque de pânico descontrolado… Tentei abstrair-me daquela subida e à medida que o fazia ia cantando de forma mais sonora e explicita a cantiguinha que até ao momento tinha sido cantada só para dentro! Perto dos 300 metros, cum catano…já mesmo no finalzinho, já não haviam nem pedras, nem calhaus nem nada, ou seja, tínhamos que emaranhar literalmente monte acima cerca de 5 metros (cheguei a pensar que se me ia dar ali uma coisinha, assim sem saber ler nem escrever!)! Agora sim, sentia-me mesmo quilhada de todo! Ouvi alguém perguntar-me: - Estás bem? – eu de olhar fulminante (sim, há mesmo este tipo de olhar, que eu bem sentia os olhos a quererem saltar das órbitas) respondi: - Yah, ‘tou bem… tirando o facto de ter vertigens, de me estar a conter há mais de 200 metros para não me atirar lá para baixo, e de estar com as pernas em autogestão a teimar tremer quando lhes estou a dar ordens para SUBIR, de ter transpirações de pânico de forma a fazer inveja ao próprio Obikwelo, e de estar com ganas de trucidar quem me convenceu a vir neste passeio…, tirando tudo isso tá-ssssssse! (só coloco aqui o que disse, recuso-me a colocar o que pensei… porque o que me passou pelo pensamento, contém resmas de palavras censuradas, e Himalaias de expressões cabeludas).
Devo ter sido suficientemente intimidativa, que as ajudas começaram a chegar aos trambulhões e com alguns desabafos à mistura, acabei por chegar ao topo do Monte! No topo, aquilo não estava a ser pêra doce! Primeiro, tive que controlar os batimentos cardíacos (até pensei que a qualquer momento tinha que recorrer ao desfibrilhador). Depois, tentei entrar em Zen…algumas vezes, muitas vezes, infinitas vezes… mas a ligação com Zen, estava indisponível (devia estar com falta de rede) …e por muito que eu gemesse AHUMMMMMMMMMMM…as tentativas revelaram-se absolutamente infrutíferas!
Passados alguns minutos, avisam-me que iamos começar a descer! Agora é que era! Agora é que íamos mesmo ter a burra nas couves!!! Tudo o que eu tinha tentado não ver durante a subida, estava agora ali, completamente escarrapachado à minha frente, com a agravante de não haver mato, nem árvores para esconder aquela descida a pique pela encosta daquele monte. Na descida haviam uns degraus em cimento, sem pontos apoio, que me fizeram desejar por momentos, ter em mim algo de Mulher Aranha, ou de Super Mulher, que num estalar de dedos me fizessem estar dali para fora, voando ou tecendo, que para mim, todos os fins justificavam os meios, o que por outras palavras, quer dizer, que eu já estava por tudo! Finalmente chegámos ao fim da descida e os meus sinais vitais retomaram aos poucos a normalidade! Respirei fundo algumas vezes, muitas vezes, tantas vezes, que ía ficando com uma over dose de Oxigénio. Senti que estava lentamente a passar de branco transparente para o meu lindo e fantástico moreno cobre. Todos os meus membros, começavam a reagir ás minhas ordens passando do estado paralisado para o estado rapidamente activo e desesperadamente apressado…Estava eu embrenhada neste regresso a mim, quando me dizem de forma efusiva: - Ena a subida foi mesmo fixe! Temos que repetir isto no Inverno!!!
Nessa hora não me contive e lá respondi: - Nos TEUS sonhos, só se for mesmo nos TEUS Sonhos!

quarta-feira, setembro 05, 2007

E finalmente...o "meme"...


No regresso das férias, decidi iniciar as postagens com a resposta ao desafio lançado pela Alexia do blog Reinvenção. Andava mesmo com este desafio engasgado...mas um dia...
“Percorro , em passo hesitante, cada caminho de mim.
Escuto o sentir do compasso, marcado pela cadência desta cama de rede onde balanço.
O balançar definido, solto amplo e comedido, liberta o meu pensamento na magia do momento...
Mergulho nos “memes” da minha vida, tentando definir um que me sirva, de referência primeira...decisiva! Mas à medida que busco, as memórias surgem densas e descubro que de intensas, é impossível escolher, entre alegrias tristezas, entre duvidas e certezas, entre o que tenho ou irei ter! Opto por imprimir balanço ao trono feito de rede, e trauteio uma musica, uma canção de embalar , uma das que em pequenina, me ajudavam a sonhar. Chega então ao pensamento a angustia de alguns dias, os choros e desesperos, o pavor e tantos medos que se instalaram em mim, a lembrança dos minutos, que custavam a passar, dias que pareciam meses e o temor de adormecer sem saber se ia acordar. A força desse Sentir, que me tornou desmedida, foi um ponto de viragem...inicio de nova vida.
Enrosco-me na manta quente, olho o céu no meu balanço, deixo que a noite me abrace no manto de estrelas manso...e fico apenas ali, a sentir esta Verdade que imprime em mim cada instante, num sabor a Eternidade...”