quarta-feira, setembro 20, 2006

Eu queria escrever-te uma carta, Amor!


"Este texto foi-me enviado por alguém que dá pelo nick de Semterfim e que gostava de ver este texto publicado neste blog. Porque achei o texto muito bonito e como não resisto á partilha de algo que acho belo, hoje, é com ele que decido partilhar este espaço."


Eu queria escrever-te uma carta amor,

uma carta que dissesse

deste anseio

de te ver

deste receio

de te perder

deste mais bem querer que sinto

deste mal indefinido que me persegue

desta saudade a que vivo todo entregue...

Eu queria escrever-te uma carta amor,

uma carta de confidências íntimas,

uma carta de lembranças de ti,

de ti

dos teus lábios vermelhos como tacula

dos teus cabelos negros como dilôa

dos teus olhos doces como maboque

do teu andar de onça

e dos teus carinhos

que maiores não encontrei por aí...

Eu queria escrever-te uma carta amor,

que recordasse nossos tempos na capopa

nossas noites perdidas no capim

que recordasse a sombra que nos caía dos jambos

o luar que se coava das palmeiras sem fim

que recordasse a loucurada nossa paixão

e a amargura da nossa separação...

Eu queria escrever-te uma carta amor,

que a não lesses sem suspirar

que a escondesses de papai Bombo

que a sonegasses a mamãe Kieza

que a relesses sem a friezado esquecimento

uma carta que em todo o Kilombo

outra a ela não tivesse merecimento...

Eu queria escrever-te uma carta amor,

uma carta que ta levasse o vento que passa

uma carta que os cajus e cafeeiros

que as hienas e palancas

que os jacarés e bagres

pudessem entender

para que o vento a perdesse no caminho

os bichos e plantas

compadecidos de nosso pungente sofrer

de canto em canto

de lamento em lamento

de farfalhar em farfalhar

te levassem puras e quentes

as palavras ardentes

as palavras magoadas da minha carta

que eu queria escrever-te amor....

Eu queria escrever-te uma carta...

Mas ah meu amor,

eu não sei compreender

por que é, por que é, por que é, meu bem

que tu não sabes ler

e eu

- Oh! Desespero! - não sei escrever também.


Autor: Desconhecido

13 comentários:

igara disse...

Como quase sempre faço, gosto de ser a primeira a comentar algo que publico e que me é enviado por alguém. Da primeira vez que li este poema, deixei-me envolver em paisagens que não conheço, mas que senti. A publicação foi sendo adiada, porque nunca tinha encontrado uma fotografia que pintasse a alma do texto, e a verdade, é que depois de ter publicado o texto, ainda fico com a sensação que a fotografia não é a adequada, por ser tanta a beleza das palavras.
Foi com muito gosto que aqui coloquei o texto, e espero que gostem tanto dele, como eu gostei!

Pataininiti disse...

Esta carta de Amor está simplesmente fantástica... Quase que se sente o calor das emoções, as vibrações do kilombo... o cheiro à mãe africa e à pura e selvagem savana... É como se esse amor só fizesse sentido nesse lugar... um amor falado nessa linguagem quente, entendida pelos animais, pelo ambiente, pela alma... um amor que dificilmente se exprime em palavras e que tem uma intensidade tão grande que chega mesmo a ser impossivel escrevê-lo ou lê-lo. Adorei, amei...Beijos e bem haja a quem escreveu esta obra de arte!

jcarlos disse...

Este é um texto cuja leitura me deixa uma estranha sensação de perda...
Foi como que um recordar de tempos idos... são reminiscências de uma vida já vivida... são fantasmas que me atormentam... e com os quais nem sei lidar... é a nostalgia dolorosa de um balanço que faço entre ganhos e perdas... e lanço, mentalmente, num Diário que nunca iniciei, frases sem sentido, disparates de acaso, ideias sem conexão aparente, perdido que me sinto, só que me encontro.
E olho para trás para este caminho já longo em que tanto ficou por fazer... pegadas na areia que o vento logo apagou!
Se errei... que errei!Se pequei... que pequei! Que Deus me perdoe!

Um dia um poeta angolano - António Cardoso, deixou este escrito intitulado "Árvore de Frutos"...

Cheiras a caju da minha infancia
E tens cor de barro vermelho
molhado
De antigamente;
Há sabor a manga a escorrer-te na
boca
E dureza de maboque a saltar-te
nos seios

Misturo-te com a terra vermelha
E com as noites
De histórias antigas
Ouvidas há muito.

No teu corpo
Sons antigos dos batuques à minha
porta
Com que me provocas,
Enchem-me o cerebro de fogo
incontido.

Amor és sonho feito carne
Do meu bairro antigo do musseque.

luar perdido disse...

Que texto quente e belo! Como quentes e belas são as paisagens fortes africanas. Que tintas, que cores, que Amor!Parabens a quem o escreveu e se amou assim...Valeu a pena. Beijo doce

Anónimo disse...

ppppppppppppppppppppuuuuuuuuuuuuutttttttttaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

Anónimo disse...

puta queres foder?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????

Anónimo disse...

Este é um texto cuja leitura me deixa uma estranha sensação de perda...
Foi como que um recordar de tempos idos... são reminiscências de uma vida já vivida... são fantasmas que me atormentam... e com os quais nem sei lidar... é a nostalgia dolorosa de um balanço que faço entre ganhos e perdas... e lanço, mentalmente, num Diário que nunca iniciei, frases sem sentido, disparates de acaso, ideias sem conexão aparente, perdido que me sinto, só que me encontro.
E olho para trás para este caminho já longo em que tanto ficou por fazer... pegadas na areia que o vento logo apagou!
Se errei... que errei!Se pequei... que pequei! Que Deus me perdoe!

Um dia um poeta angolano - António Cardoso, deixou este escrito intitulado "Árvore de Frutos"...

Cheiras a caju da minha infancia
E tens cor de barro vermelho
molhado
De antigamente;
Há sabor a manga a escorrer-te na
boca
E dureza de maboque a saltar-te
nos seios

Misturo-te com a terra vermelha
E com as noites
De histórias antigas
Ouvidas há muito.

No teu corpo
Sons antigos dos batuques à minha
porta
Com que me provocas,
Enchem-me o cerebro de fogo
incontido.

Amor és sonho feito carne
Do meu bairro antigo do musseque.

21 Setembro, 2006


luar perdido disse...
Que texto quente e belo! Como quentes e belas são as paisagens fortes africanas. Que tintas, que cores, que Amor!Parabens a quem o escreveu e se amou assim...Valeu a pena. Beijo doce

26 Setembro, 2006


Anónimo disse...
ppppppppppppppppppppuuuuuuuuuuuuutttttttttaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

17 Fevereiro, 2008


Anónimo disse...
puta queres foder?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????

Anónimo disse...

abra

Anónimo disse...

cabra

perdida na net disse...

O autor desse belíssimo poema "eu queira escrever uma carta" é António Jacinto.

Rasangela disse...

Sempre foi o mais bonito verso, pra mim e até agora não achei ..melhor.

Anónimo disse...

autor desconhecido nao

este pedaço da alma pertence ao muito angolano talvez o maior poeta angolano Viriato da cruz

Anónimo disse...

perdao eu disse viato da cruz mas é antonio jacinto