quarta-feira, setembro 13, 2006

Histórias Minhas...


Ontem, sai do trabalho e dirigi-me ao colégio dos meus filhos, para os ir buscar à Sala de Estudo. Eles, quando me viram, começaram logo a atropelar-se nas palavras para me contarem como tinha corrido o dia de Escola. Eu, como sempre faço, tentei manter alguma ordem naquelas descrições, tentado que cada um falasse na sua vez, sem atropelamentos, e com a calma que é possível em crianças de 7 e 9 anos. Enquanto caminhávamos para o autocarro, o meu filho mais novo, sugeriu que brincássemos aos animais. Por instantes, pensei “Ena, como os meus filhos cresceram!”. Inicialmente, as nossas brincadeiras de animais eram simples, dizíamos apenas nomes de animais e a única regra que tínhamos que respeitar era não nos repetirmos. Depois, começámos a jogar ao Stop dos Animais eu começava por dizer o A e interiorizava as restantes letras até que um deles me mandasse parar. Quando isso acontecia eu divulgava a letra em que tinha parado, e depois era só dizer nomes de animais começados por essa letra. Era um jogo um pouco mais difícil, e que revelava que os meus meninos estavam a ter um conhecimento maior, em termos dos animais e do conhecimento da língua. Era claro que eu me sentia orgulhosa!!! Mas agora, brincar aos animais tornava-se mais complicado. Já tinha deixado de ser melzinho na chupeta. Brincar agora aos animais tinha o nome de “Características dos Animais”. Consistia em pensar num animal, definir as características que os particularizavam, até que alguém adivinhasse o animal em que se pensava. Tudo seria fantástico, não tivesse eu um filho, que tem como hobbie, devorar enciclopédias.
Foi entre pensamentos, que decidi aceitar o desafio de jogar ás “características dos animais”. A esta altura já estávamos sentados no autocarro, rodeados de gente por todos os lados. O Diogo, o devorador de enciclopédias, decidiu dar o mote de partida. Começou por dizer: “o animal em que estou a pensar é um peixe, de profundidade intermédia, pode atingir até 1.80 de comprimento, tem escamas azuis, pensava-se estar extinto. O facto de se ter encontrado uma colónia destes peixes, faz com que se considere, que ele é um fóssil vivo do período triásico.” Dito isto calou-se e olhou para mim, com ar interrogativo, e eu confesso que me sentia o próprio ponto de interrogação. No autocarro, como que por magia toda a gente se calou. Nisto, o nosso vizinho de banco, comentou…”Olha lá menino, tens a certeza que esse animal existe?”, o Diogo respondeu logo prontamente que sabia sim, porque para além de ler enciclopédias gostava de ver as séries do National Geografic. Ora bem, por esta altura, já o João dizia que assim não brincava porque o Diogo ia sempre encontrar animais muito “dificiles”, e que assim não tinha graça, decidindo dar provas de insatisfação amuando à séria. O Diogo ia-me dizendo “Vá lá mãe, tenho a certeza que sabes esta!!”. Eu confesso que tudo aquilo me dizia alguma coisa, mas eu não conseguia lá chegar. De repente, surgiu uma cabeça entre o meu banco que disse: “ Só pode ser uma Baleia ora….uma baleia Azul!”. O Diogo lá foi dizendo que não. Logo ali dos bancos do lado….começaram a vir palpites. “É um golfinho!”; “ É um tubarão!”; “É um Mero!”; “É…” .
Eu confesso que estava surpresa com aquela aderência ao NOSSO jogo. Fiquei mesmo impressionada!!!! Ás páginas tantas não resisti e disse: “Desisto!!!”. Todos os olhos se centravam agora no Diogo. Ele não fez esperar ninguém e apressou-se a dizer que raio do peixe tinha o nome de Celacanto. As exclamações não se fizeram esperar: “Ena, mas que raio é o Celacanto?”, “O miúdo ainda vai ficar doente se continua a ler aquilo, ainda vai ficar com a cabeça fraca!”, “Bolas um Celacanto!!!!”, “O mais novinho tem razões para amuar coitadinho!”.
Eu já só conseguia rir-me. Com tudo isto, chegámos à nossa paragem, mas o Diogo, antes de sair, ainda disse: “Amanhã podemos jogar mais se quiserem, apanhamos este autocarro todos os dias à mesma hora!”. Enquanto saía, ainda pude ouvir alguns comentários “Eu não…”, “O puto é castiço, deve de ser bom aluno!!!”, “bolas Celacanto, esquece lá isso amigo, para brincar tens que escolher outro…”. Cheguei à rua e ri…mas ri tanto, que quem passava abrandava o passo a olhar para mim…O João, decidiu ser solidário comigo e dava gargalhadas sonoras. O Diogo ainda me disse “oh mãe…mas nem deu tempo para eu descrever o Baselisco!”.
Eu olhei para ele e respondi-lhe com a voz abafada pelo riso: “Amanhã meu filho…amanhã!”

12 comentários:

Kitty disse...

Que saudades que eu tenho de ver esses pequenos! Como cresceu o Dioguito, esse lindão que eu ainda me lembro de ver saltar na barriga da mãe... Como está tão giro o João, como ele fotografa bem, e eu que me lembro dele ainda na alcofinha muito pequenino!

E como eu me ri, a visualizar a cena , da mamã Iga e seus filhotes, em bolandas na voltinha do 'laranja'...

Ai Índia... caraças! deu-me uma saudade doutros tempos!! em que gargalhávamos juntas e tu tapavas os ouvidos para não me ouvires cantar!!

Mas como é doce ter estas recordações!!

Gaja gosta de ti!Curto-te bué, tens um mundo só teu fantástico, és mesmo uma gaja boa em todos os sentidos...

Beijos repenicados cheios de streptococus, e um xi para cada um dos trakinas !!

Pataininiti disse...

HAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHA....(uma pausa para respirar.. e aqui vai)AHAHAHHAHAHAHHAHAHHAHAHAHHAHAHAHAHA
Que loucura, os meus sobrinhos são simplesmente fantásticos!! Fantásticos... estou maravilhada! Também te digo mana... só podiam ser teus filhos.
Vejam bem... Celacanto e Baselisco!!! As coisas que uma pessoa aprende!HAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHA

igara disse...

Kitty, é verdade, lembraste de quando sentimos o Diogo pela primeira vez? O garoto detestava musica pimba, e som estrondoso da máquina de escrever com um carreto de metro e meio... hahahahahahhaha. Sempre que mexia naquela máquino o Diogo mexia-se feito doido.Quanto ás tuas cantorias, eu nunca te disse, mas a eu até achava que tu tinhas potêncial, mas era um potêncial em Bruto que tinha que ser lapidado... lol...
Foram tempos loucos demais sim...que saudades desses tempos páh...fogo....
Eu gosto muito dos teus filhos, mas sabes que o Tomás é um espaço especial no meu coração, se soubesses como eu penso neles...
E de ti, gosto de ti muito ás resmas mesmo!

Beijos sua doida com estreptococos e estafilococos e outros cocos que hajam e que eu desconheça. Abracinhos apertadinhos! :)

igara disse...

Manamaislindadouniversoearredores, os teus sobrinhos são mesmo um must, mas só podiam mesmo, afinal a Tia deles é uma referência a não perder de vista, ora! hahahhahahahahahahahahahah
Beijos salgadinhos, como tu gostas :)

Anónimo disse...

Irra estou sem palavras...
Real

Kitty disse...

Iga claro que lembro... e de quando lhe cantei uma pimbalhice e ele deve ter dado um mortal encarpado porque saltitou até eum me calar... a magia dos momentos nunca mais esquecemos!

Muito beijo pa ti repenicados e muito xi

;)))

Pinochio disse...

Apenas delicioso. Não sei o que será mais deliciosos, se os conhecimentos do "puto", se o embevecimento da mamã. Um beijinho carregadino de amizade e do muito carinho que tenho por ti. Um beijinho também para o "fenómeno" e par o espertalhão que assim não brinca. Nem eu!

Anónimo disse...

não e´que o raio do puto é mesmo intelegente
eu sei lá que raio de peixe é esse
um grande beijo para todos

sjdppp

Lobaaaaaaaaaaaaaa disse...

As coisas que o miudo sabe... puxa vida... ehehehe

Um sorriso.

luar perdido disse...

Bem! Valente cabecinha! Parabens pelo rebento, prova que o sabes "puxar", um devorador de enciclopédias é um optimo inicio. Ah claro! parabens também à mãmã, que tão babada nos conta um valente ataque de riso e...orgulho também (como seria de esperar)
Beijinho grande.

Coral disse...

Igarita ... um beijinho grande para ti e para esses marrafinhos amorosos...

A maternidade assim vale a pena...

Um sorriso ao som de musicas bethânicas ..

homem de negro disse...

Olá...
São estas cenas que vale a pena guardar na memória ou até escrever sobre elas no blog... Identifiquei-me tanto com esta história, que também eu me vi a rir perdidamente aqui a ler-te, amiguita...
São estas coisas que sempre me dizem que tudo vale a pena...
Um beijito vadio, a gente vê-se por aí...