quarta-feira, setembro 20, 2006

Eu queria escrever-te uma carta, Amor!


"Este texto foi-me enviado por alguém que dá pelo nick de Semterfim e que gostava de ver este texto publicado neste blog. Porque achei o texto muito bonito e como não resisto á partilha de algo que acho belo, hoje, é com ele que decido partilhar este espaço."


Eu queria escrever-te uma carta amor,

uma carta que dissesse

deste anseio

de te ver

deste receio

de te perder

deste mais bem querer que sinto

deste mal indefinido que me persegue

desta saudade a que vivo todo entregue...

Eu queria escrever-te uma carta amor,

uma carta de confidências íntimas,

uma carta de lembranças de ti,

de ti

dos teus lábios vermelhos como tacula

dos teus cabelos negros como dilôa

dos teus olhos doces como maboque

do teu andar de onça

e dos teus carinhos

que maiores não encontrei por aí...

Eu queria escrever-te uma carta amor,

que recordasse nossos tempos na capopa

nossas noites perdidas no capim

que recordasse a sombra que nos caía dos jambos

o luar que se coava das palmeiras sem fim

que recordasse a loucurada nossa paixão

e a amargura da nossa separação...

Eu queria escrever-te uma carta amor,

que a não lesses sem suspirar

que a escondesses de papai Bombo

que a sonegasses a mamãe Kieza

que a relesses sem a friezado esquecimento

uma carta que em todo o Kilombo

outra a ela não tivesse merecimento...

Eu queria escrever-te uma carta amor,

uma carta que ta levasse o vento que passa

uma carta que os cajus e cafeeiros

que as hienas e palancas

que os jacarés e bagres

pudessem entender

para que o vento a perdesse no caminho

os bichos e plantas

compadecidos de nosso pungente sofrer

de canto em canto

de lamento em lamento

de farfalhar em farfalhar

te levassem puras e quentes

as palavras ardentes

as palavras magoadas da minha carta

que eu queria escrever-te amor....

Eu queria escrever-te uma carta...

Mas ah meu amor,

eu não sei compreender

por que é, por que é, por que é, meu bem

que tu não sabes ler

e eu

- Oh! Desespero! - não sei escrever também.


Autor: Desconhecido

segunda-feira, setembro 18, 2006

Olha para mim, Amor



Olha para mim, Amor
Olha mais fundo na minha Alma,
Olha por um segundo
mais nada.

Olha para mim, Amor
Sente o meu vibrar
na ânsia de te abraçar
na angústia de te perder.

Olha para mim, Amor
Conta-me a tua vida
torna-a menos sofrida
comigo podes sonhar

Olha para mim, Amor
o medo que sentes hoje
eu posso atenuar
descansa nos meus braços
e deixa-te enlevar

Olha para mim, Amor
toda eu sou paixão
tentando estender-te a mão
para nunca mais largar

Olha para mim, Amor
sem ti não sei viver
sem ti não sei amar
sem ti não sei sonhar

Olha para mim, Amor
olha mais fundo na minha alma
olha por um segundo e verás
que sem ti sou Nada.

quinta-feira, setembro 14, 2006

Tela



Pinto na cara as marcas,
Choradas, feitas de mágoas,
Dos momentos imprecisos!
(Então, visto-me de Sorrisos)

Imprimo um traço marcado,
Num lamento sussurrado,
Deixando falar os olhos.
(Então, visto-me de Sonhos)


No Branco busco guarida,
Em memórias remetida,
Ao meu sentir de Criança!
(Então, visto-me de Esperança)

Por isso, como tela eu me pinto,
Para que nunca ninguém saiba,
Tudo o que na Alma sinto!

quarta-feira, setembro 13, 2006

Histórias Minhas...


Ontem, sai do trabalho e dirigi-me ao colégio dos meus filhos, para os ir buscar à Sala de Estudo. Eles, quando me viram, começaram logo a atropelar-se nas palavras para me contarem como tinha corrido o dia de Escola. Eu, como sempre faço, tentei manter alguma ordem naquelas descrições, tentado que cada um falasse na sua vez, sem atropelamentos, e com a calma que é possível em crianças de 7 e 9 anos. Enquanto caminhávamos para o autocarro, o meu filho mais novo, sugeriu que brincássemos aos animais. Por instantes, pensei “Ena, como os meus filhos cresceram!”. Inicialmente, as nossas brincadeiras de animais eram simples, dizíamos apenas nomes de animais e a única regra que tínhamos que respeitar era não nos repetirmos. Depois, começámos a jogar ao Stop dos Animais eu começava por dizer o A e interiorizava as restantes letras até que um deles me mandasse parar. Quando isso acontecia eu divulgava a letra em que tinha parado, e depois era só dizer nomes de animais começados por essa letra. Era um jogo um pouco mais difícil, e que revelava que os meus meninos estavam a ter um conhecimento maior, em termos dos animais e do conhecimento da língua. Era claro que eu me sentia orgulhosa!!! Mas agora, brincar aos animais tornava-se mais complicado. Já tinha deixado de ser melzinho na chupeta. Brincar agora aos animais tinha o nome de “Características dos Animais”. Consistia em pensar num animal, definir as características que os particularizavam, até que alguém adivinhasse o animal em que se pensava. Tudo seria fantástico, não tivesse eu um filho, que tem como hobbie, devorar enciclopédias.
Foi entre pensamentos, que decidi aceitar o desafio de jogar ás “características dos animais”. A esta altura já estávamos sentados no autocarro, rodeados de gente por todos os lados. O Diogo, o devorador de enciclopédias, decidiu dar o mote de partida. Começou por dizer: “o animal em que estou a pensar é um peixe, de profundidade intermédia, pode atingir até 1.80 de comprimento, tem escamas azuis, pensava-se estar extinto. O facto de se ter encontrado uma colónia destes peixes, faz com que se considere, que ele é um fóssil vivo do período triásico.” Dito isto calou-se e olhou para mim, com ar interrogativo, e eu confesso que me sentia o próprio ponto de interrogação. No autocarro, como que por magia toda a gente se calou. Nisto, o nosso vizinho de banco, comentou…”Olha lá menino, tens a certeza que esse animal existe?”, o Diogo respondeu logo prontamente que sabia sim, porque para além de ler enciclopédias gostava de ver as séries do National Geografic. Ora bem, por esta altura, já o João dizia que assim não brincava porque o Diogo ia sempre encontrar animais muito “dificiles”, e que assim não tinha graça, decidindo dar provas de insatisfação amuando à séria. O Diogo ia-me dizendo “Vá lá mãe, tenho a certeza que sabes esta!!”. Eu confesso que tudo aquilo me dizia alguma coisa, mas eu não conseguia lá chegar. De repente, surgiu uma cabeça entre o meu banco que disse: “ Só pode ser uma Baleia ora….uma baleia Azul!”. O Diogo lá foi dizendo que não. Logo ali dos bancos do lado….começaram a vir palpites. “É um golfinho!”; “ É um tubarão!”; “É um Mero!”; “É…” .
Eu confesso que estava surpresa com aquela aderência ao NOSSO jogo. Fiquei mesmo impressionada!!!! Ás páginas tantas não resisti e disse: “Desisto!!!”. Todos os olhos se centravam agora no Diogo. Ele não fez esperar ninguém e apressou-se a dizer que raio do peixe tinha o nome de Celacanto. As exclamações não se fizeram esperar: “Ena, mas que raio é o Celacanto?”, “O miúdo ainda vai ficar doente se continua a ler aquilo, ainda vai ficar com a cabeça fraca!”, “Bolas um Celacanto!!!!”, “O mais novinho tem razões para amuar coitadinho!”.
Eu já só conseguia rir-me. Com tudo isto, chegámos à nossa paragem, mas o Diogo, antes de sair, ainda disse: “Amanhã podemos jogar mais se quiserem, apanhamos este autocarro todos os dias à mesma hora!”. Enquanto saía, ainda pude ouvir alguns comentários “Eu não…”, “O puto é castiço, deve de ser bom aluno!!!”, “bolas Celacanto, esquece lá isso amigo, para brincar tens que escolher outro…”. Cheguei à rua e ri…mas ri tanto, que quem passava abrandava o passo a olhar para mim…O João, decidiu ser solidário comigo e dava gargalhadas sonoras. O Diogo ainda me disse “oh mãe…mas nem deu tempo para eu descrever o Baselisco!”.
Eu olhei para ele e respondi-lhe com a voz abafada pelo riso: “Amanhã meu filho…amanhã!”

terça-feira, setembro 12, 2006

Dor ao Luar



Se a força que emanas
eu conseguisse encontrar
poderia, concerteza
desta imunda fortaleza
me salvar e libertar.

Mas vivo à parte de tudo
Só e trancada neste Mundo
Com a Alma desprezada
do coração arrancada
neste delírio profundo.

O sol não brilha p'ra mim
esconde-se do muro que nos separa
só ela canta e olha
pelas grades da gaiola
é amiga e me ampara.

Oh Lua, amiga de tempo infinito
leva minha tristeza, meus ais
canta-me a vida por viver
canta-me a alegria por sentir
e não me deixes sofrer mais.

terça-feira, setembro 05, 2006

Quando me olho...


Quando olho para mim,
Não me pertenço,
Sei-me feita
De querer e de não querer,
Escuto todas as ausências
Nos momentos,
Em que busco apenas dar,
Sem receber!

Quando Olho para mim,
Nem eu me entendo,
Não busco os porquês
Desta razão,
Quando anseio apenas
O silêncio,
Guardando em mim,
Momentos de Ilusão!

Quando olho para mim,
Sinto-me Viva,
Sei que me quero assim,
Sem direcção,
Pois coração que sente
Anda á deriva
Faz de cada instante
A sua Vida,
Põe em cada entrega,
Emoção!

sexta-feira, setembro 01, 2006

Momentos



O cheiro da terra molhada, daquele final de tarde, confrontava-a com o seu espírito desalinhado. O cheiro a terra fermentada, sempre havia exercido este efeito de a fazer mergulhar dentro de si, despertando-a para os desajustes de tudo o que não se busca mas que se encontra, de tudo o que não se diz mas que se sente, de tudo o que não se quer mas que se tem.

Ali, naquele lugar, tão longe do seu Mar, sabia ser urgente misturar-se com os elementos para encontrar a paz que teimava em ausentar-se de si.
Pensara em buscar na Terra formas de canalizar a sua ira! Pensara em fundir-se nas águas do Rio que corre, porque apenas as águas lhe lavariam as dores e amenizariam o espírito! No entanto, foi decidida, que procurou aquela varanda, emoldurada pelo vinhedo, para esperar a chegada da Noite densa. Daquele lugar prendeu-se na paisagem.

O Verde exuberante dera lugar a uma mancha escura a perder de vista. O Céu, no horizonte, era o campo de batalha onde a escuridão se adensava, mas onde o Dia ainda se debatia, deixando marcas da sua presença em pinceladas de Luz.
Deve ter sido na eternidade de mais um Dia que se faz Noite, ou na beleza da própria Noite que se ilumina por um véu de estrelas, que a calma e serenidade foram ocupando espacinhos no seu sentir.

Fechou os olhos, e inspirou longamente. O cheiro da terra tornara-se mais intenso, e agora acrescia-lhe o concerto coroado pelo crepitar dos grilos e o coaxar das rãs do charco próximo. Ali, nada mais havia para além da Noite que chegava sem pressa e que se instalava em silêncio. Ali, não havia espaço para as suas angústias e para os seus desalinhos. Ali, ela sabia que tinha que deixar fluir o corpo, em sintonia com a harmonia do momento e do espaço.

Imprimiu movimento à cama de rede, e deixou-se levar, num vai vem compassado e cantou, muito baixinho em jeito de sussurro, uma canção de embalar que lhe chegou à memória. Aos poucos, o corpo descomprimia, a ira desvanecia-se, as dores já não pareciam tão intensas…
O espírito, antes desalinhado, já lhe permitia agora palmilhar pensamentos de forma ordenada e clara. Espreguiçou-se e sorriu! Foi balançando, que deixou que o sono lhe chegasse manso, aninhando-se calmamente nos braços seguros daquela noite mágica, que ela sabia, que certamente, iria abraçar os seus sonhos.

quinta-feira, agosto 31, 2006

Sonho Meu


Sonho contigo
todos os dias
a toda a hora.


Sonho contigo
que vais voltar
sem mais demora.


Sonho contigo
cabelo ao vento
num cavalo branco.


Sonho contigo
e sem lamento
enxugo o pranto.


Sonho contigo
que me levas
em teu regaço.


Sonho contigo
e como me agarras
em teu abraço.


Sonho contigo
e acordei
já sem saber.


Sonho contigo
e não vejo a hora
de adormecer.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Ser Feliz!



Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um "não".

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...”

(Fernando Pessoa)

sexta-feira, agosto 11, 2006

Agora é a minha vez...

... e quem também vai descansar uns diazitos, sou eu! Que bem mereço!!! E para começar vou assistir ao concerto do ano: Rolling Stones ao vivo no Dragão! E lá vou eu no meu popó novinho para a invicta.
Assim, quero despedir-me de vós por esta semana.
Para quem trabalha, bom trabalho!
Para quem descansa, bom descanso!
Até para a próxima semana, meus amigos! E beijinhos salgadinhos como o Mar!

quarta-feira, agosto 09, 2006

A minha Luz



Chamavas,
Com voz rouca e hesitante,
Eras o som que me acalmava
Fresco, quente, excitante.
Chamavas,
Sussurrando os mais leves tons de cor,
A tela do coração pintavas,
Apagando a cor da dor.
Chamavas,
E mergulhei em todo o teu ser
E a vida de novo me davas
Voltei a ser Mulher,
Chamavas,
Murmurando carícias
Afagando-me com delícias
Chamavas,
Enchendo-me de alegria
Vivendo, como último, cada dia
Chamavas,
E teu murmúrio segui
Não posso ser feliz sem ti.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Onde estará o Meu Amor

Como essa noite findará...
O Sol então rebrilhará....
Estou pensando em Você..
Onde estará meu Amor...

Será que vela como eu...
Será que chama como eu...
Será que pergunta por mim?
Onde estará meu amor?

Se a Voz da Noite responder
Onde Estou eu...
Onde está Você....
Estamos cá dentro de nós...
Sós...

Onde estará meu Amor..
Se a Voz da noite silenciar
Raio de Sol vai-me levar
Raio de Sol vai-me trazer....

Se a Voz da Noite responder
Onde estou eu...
Onde está Você....
Estamos cá dentro de nós
Onde Estará meu Amor...

Se a voz da noite Silenciar
Raio de Sol vai-me levar...
Raio de Sol vai-me trazer...
Será que pergunta por mim?
Onde estará meu Amor...

"Porque hoje vou de férias, partilho convosco a letra de uma musica de Maria Bethania, que sempre me envolveu em Paz, porque é em Paz que parto, decidi deixar algo que embora não sendo escrito por mim, é sentido na primeira pessoa!"

sexta-feira, julho 28, 2006

Invocação


“Nesta Noite em que te encerro,
no meu Ciclo Lunar,
Invoco-te Noite,
Invoco-te Lua,
Para que me faças tua,
Para que te possa encontrar!”


Nesta Noite em que te invoco,
E te busco ao pensamento,
Sei que chegarás errante,
Apesar de tão distante,
Com a Brisa, ou como o Vento

Nesta Noite em que te invoco,
E me visto do teu querer,
Sei que estarás nesse lado,
A Sentir o meu chamado
Atento ao que eu te disser!

Nesta Noite em que te invoco,
Fazendo das Estrelas Manto
Sei que vais sorver os beijos
E calarás mil desejos
Embalado no meu Canto!

Nesta Noite em que te invoco,
Espero calma a Madrugada
Sei que me terás Inteira,
Numa Entrega derradeira
Na Noite por mim Sonhada!

Nesta Noite em que te invoco,
Se em Silêncio me envolver,
Saberás que é o momento,
Pinta-me em teu pensamento
Pois nunca mais me irás ter!


sexta-feira, julho 21, 2006


Será que choro por despeito
ou por medo de viver
Será que a dor no meu peito
cessará de doer...
Será que sofro por orgulho
ou por não querer esquecer
Será que a mágoa em que mergulho
afogará o meu sofrer...
Será que alucino em solidão
ou estarei mesmo sozinha
Será que a dor no coração
é apenas culpa minha...
A solidão é uma verdade
e apesar da multidão
choro em silêncio a saudade
de preencher meu coração.

quarta-feira, julho 12, 2006

Sim, Pai, Olha para mim!


Sim, Pai, Olha para mim...
Ou Lê só estas palavras.
Vê bem no que me tornei,
E Tenta olhar-me sem mágoas!

Tantas vezes me dizias,
Que havia de ser perdida,
(tantas vezes sem ter fim)
Mas hoje, olha-me bem!
Vê tudo o que consegui
Nunca dei passos mal dados
Nem tão pouco me perdi!

E a Vida, meu Pai, a Vida....
Não me deixou esquecida,
Nem me deu só desalento:
Sorria-me a cada passo,
Mas levava-me no colo
Quando havia Sofrimento.

E nas vezes que dizias,
Que eu sonhava o Impossível
(vivia num Mundo á parte,
para ti tão invisível)
Eu ficava transtornada,
Detinha-me a imaginar,
Que coisa havia surgido,
Para te roubar a Ti...
A vontade de Sonhar!

Por isso, Pai, eu te digo,
Com toda a convicção,
Conquistei este meu Mundo
Sem usar imposição.
Não me calo nem submeto,
À Vontade que alguém quer,
Eu cresci, Pai, tão sózinha...
Mas deixei de ser Menina,
Nasci...para ser Mulher!

sexta-feira, julho 07, 2006

Desencontros


Nos dias dos desencontros,
O desencanto é maior!
Cala a dor o Mar infindo,
Tece-se duro o destino.
E em gritos que se calam
Nas palavras que não digo
Dou passos lentos, seguros
Para traçar o meu caminho.
Mas a angustia que me fica
Do silêncio que emudece,
Torna o Coração bravio,
Pois de lutas sem sentido
Silencia-se e fenece!
Fica o silêncio apenas
Marejado de memórias
Lembranças boas e más
Que salpicam levemente,
De brilhos, as minhas histórias.

segunda-feira, julho 03, 2006

Eu Acredito!!!!


P - Persistencia
O - Optimismo
R - Respeito
T - Trabalho
U - União
G - Garra
A - Amor
L - Luta
FORÇA PORTUGAL

Amor Incondicional (parte II)

Isabel partia assim, tentando deixar para trás as mágoas, os pensamentos, as dores.
Enquanto o velho autocarro rumava a S. Martinho do Porto, ela despedia-se da terra que a vira nascer, e das memórias que queria aprisionar nesse espaço, que tanto a fizera feliz, mas que lhe havia causado tanta dor e sofrimento.
Recordou os tempos de menina, quando buscava o colo de sua mãe, procurando nela mil afectos, deixando-se embalar pelo som cantado da voz que lhe dava segurança e a envolvia em serenidade. Mais uma vez buscou o seu pai no pensamento. Buscou-lhe o rosto moreno, que sempre havia estado presente em tantos momentos da sua vida. Tentou sentir todos os abraços partilhados numa cumplicidade feita de anos. Ele havia sido a sua perda mais recente, ela ainda não conseguia conter as lágrimas, quando o chamava ao pensamento.
Através da janela do autocarro, vislumbrou João.
João tinha sido o seu amigo de sempre. O que tinha convertido o seu pranto em sorrisos, o que estivera sempre presente em todas as suas dores. Aquele que teimava em ficar presente em todos os instantes da sua vida, especialmente naqueles em que as palavras faltam mas onde a presença dizia mais que mil palavras.
Recordava os areais que trilharam juntos, partilhando apenas com as estrelas os segredos da alegria que sentia quando o sabia por perto. Sentia que tinha começado a conhecer a vida pelas suas mãos, tanta era a entrega, tanta a beleza que via nos seus olhos. Os olhos de João, castanhos e amendoados, permitiam que ela conseguisse ver-se reflectida neles. Muitas vezes julgou que eram dela aqueles olhos que brilhavam para si.
Era certo que o amava. Amou-o como menina, quando buscava a sua mão em jeito de desafio e depois corriam juntos, por aquela praia, que parecia infinita. Amou-o como mulher menina, quando buscava em outros homens, aquilo que João não lhe dava, mas que ela sabia fazer-lhe falta. Nessa data, teve a certeza que João jamais a amaria. Soube que ele permaneceria do seu lado como fazem todos os grandes amigos, mas que jamais a procuraria para a fazer sua, de corpo e Alma. Amou-o como mulher, quando desejou que ele a tivesse e partilhasse a sua vida com ela.
Não conseguia definir o quanto amava, sabia no entanto, que João era parte da sua vida.
Foram tantos os dias em que ela imaginou que ela a buscava. Foram tantos os dias em que ela os imaginou juntos numa entrega que apenas os seres que se fundem na Alma conseguem...Foram tantos os dias em que esperou, com o coração nas mãos o seu regresso desse Mar que tanta dor lhe causara. Tantas vezes ao ver surgir ao largo o seu barco, havia agradecido a Deus que o seu João estivesse a salvo...

Enquanto os pensamentos a envolviam, ela chegou ao seu destino. Esperavam-na os tios Fernando e Magda, que a acolheram de imediato, num abraço fervoroso. Ela abandonou os pensamentos e caminhou rumo à sua nova vida, certa, que essa mudança alinharia o seu horizonte, e pintaria os seus viveres de novas cores. Iria iniciar uma nova fase, e estava determinada a ser feliz, era isso que desejava, era isso que iria conseguir para si.
Nesse dia, á hora do jantar, conheceu o David. David, vivia num quarto alugado e partilhava a casa dos seus tios. Rapaz da cidade, de aparência bonita, trajando de forma simples mas cuidada, de conversa fácil e de onde se deduzia uma grande riqueza do saber. Durante esse jantar, depois de feitas as apresentações, os olhares de ambos cruzaram-se algumas vezes. Nos olhos do David visualizavam-se sorrisos, que alternavam com expressões faciais de traçado fino, acentuadas pela tez clara e macia.
Desde esse dia, que se permitiram cumplicidades, nascidas da urgência de partilha que Isabel sentia que necessitava, nascidas daquele sentir simples que David desconhecia e que lhe aprazia.
Isabel começou a trabalhar numa retrosaria, continuava em casa dos seus tios e mantinha por perto a presença de David. Ele ensinou-lhe a ver outro lado da vida, que se perdia nos cafés, nas noites aclaradas pelo brilho das iluminações citadinas. Ensinou-lhe o riso forçado que se consegue apenas quando o coração consegue mentir nas coisas que sente.
Quanto mais conhecia o David, mais se acreditava que estava a viver uma história baseada na novidade, na sabedoria, e no deslumbramento que ele lhe causava. No entanto, passaram-se os dias, os meses... Isabel, que havia decidido tomar o seu destino nos braços, quanto mais conhecia daquela vida, menos se identificava com ela. Lentamente, João foi voltando a ocupar espaço no seu pensamento. Voltou a lembrar as noites iluminadas pelas estrelas, voltou a recordar a sua pele marcada pelas lides do mar. Recordou as suas mãos calejadas das redes, mas que tanto a haviam acalentado em momentos de dor sentida. Relembrou os risos sinceros, de quem sorri apenas quando a alma dita e o coração pede.
Houve um dia, em que a saudade fez um apelo maior. Decidiu que o seu destino iria passar pela felicidade de ter a seu lado o Amor que sempre estivera perto, mas que agora se fazia distante. Sabia que não iria querer perder o João. Já tinha perdido demasiado da vida, já tinha perdido tempo demais. Era hora de retornar ás origens e afastar os fantasmas da sua vida. Um apelo vindo do peito, indicava-lhe o caminho de retorno a Nazaré.
Nesse dia, ela despediu-se dos tios e do David, deixando em aberto a possibilidade de voltar, caso as coisas não lhe corressem de feição. David, sabia, desde sempre que este seria o desfeche da história de Isabel. Sabia, que ela não iria voltar, por ter a certeza, que ela iria ser feliz. Sabia, que Isabel, poria nesse dia um ponto final na sua busca pela alegria.
Isabel partiu!
Durante a viagem os pensamentos não se adensavam na paisagem, não se concentravam nos caminhos, não se detinham nos rostos de quem com ela seguia, convergiam apenas para a figura de João.
Findas duas horas e pouco de caminho, ela chegou.
Foi a casa do João, para saber dele, a mãe de João com os olhos rasos de água indicou-lhe a praia onde ele deveria surgir a qualquer momento.
O entardecer estava lindo, matizado em tons de luz. Isabel desceu á praia, sentou-se na areia e ficou a aguardar surgir no horizonte, a silhueta do barco de João. Finda uma hora, lá se vislumbrou a luz de presença da embarcação que traria João de volta para si. Ela dirigiu-se para a zona de atracagem e aguardou a chegada.
Quando João saiu da embarcação trazendo em braços o quinhão da sua pesca, nem acreditava que fosse Isabel a estar ali. Como ela estava bonita!!! A noite, que tinha feito descer um véu de estrelas, pintava de luz e devolvia a Isabel todos os traços de mulher menina, que anos a fio lhe haviam dado sentido à vida. Ela sorria-lhe, e fazia-lhe sinais para que ele fosse ao seu encontro. João, deixou tudo o que tinha em mãos, e seguiu na direcção de Isabel, apertando-a nos seus braços. Deve ter sido o abraço mais uno que alguém recorda. Enquanto se abraçavam, Isabel sussurrou-lhe saudades, falta e da alegria de tornar a ter. João, nem acreditava que desta vez ela estava de volta para ele. Desta vez, e porque a vida lhe dava esta oportunidade de ver transformados em realidade os seus sonhos, falou-lhe de Amor.
Nessa noite, a praia, foi testemunha da comunhão de corpos que se fundem na Alma. Nessa Noite, a Lua de Prata, definiu a luminosidade daquele leito, que as estrelas abençoaram. Nessa noite, o Amor incondicional tinha ganho, ao tomar forma nos braços e corpos de João e Isabel.

sexta-feira, junho 30, 2006

Amor Incondicional (parte I)

" Hoje deixo-vos a primeira parte de um texto feito a duas mãos, espero que gostem dele tanto quanto eu gostei"


Não… O grito surdo ecoava apenas na sua mente… Não, voltou a abrir a boca para gritar, mas apenas a sua mente ouvia o desespero que sentia roer-lhe o ser…
Correu atrás do velho autocarro da Rodoviária Nacional até as forças lhe faltarem e cair de joelhos com a dor a martirizar-lhe a alma, com o corpo preenchido por uma dor que até aí lhe fora desconhecida. Não, voltou a tentar gritar, mas apenas a boca se abria, as grossas lágrimas que lhe caíam do rosto traziam um pouco de calor aquele rosto gelado pela chuva intensa que caia…
Conhecera-a desde sempre, cresceram juntos partilhando as ondas da Nazaré, dividindo as noites em que juntos com as mulheres mais velhas rezavam e esperavam que o mar lhes trouxesse de volta os homens que tinham ido para a faina. Dias duros, aqueles, em que para por um pouco de pão na mesa os homens davam em troca às vezes a própria vida, lutando contra um mar duro que tantas vezes recompensava com a morte quem tanto o amava…
Lembrava-se dos dias em que o mar parecia fugir para longe deixando livres os areais situados no sopé do velho forte, levando os miúdos da sua idade em romaria até aquele local para brincadeiras que pareciam não ter fim. Lembrava-se de ver chegar a noite deitado na areia da praia, lado a lado com ela, sentindo-se o miúdo mais feliz do mundo, tendo por companhia uma ilusão e as estrelas no céu que pareciam abençoar aqueles momentos.
O sol ia dormir em pores-do-sol de uma beleza impressionante, a lua acordava e dava ao mar aquela cor prateada que os pintores lutam por conseguir e que enche a tela de luz… Sensações que ele não sabia descrever, mas que a presença dela tornava realidade na sua mente e que valiam uma vida…
João nunca tivera ninguém a seu lado pois aprendera amá-la só a ela, não precisava de ter mais ninguém pois ela significava toda a sua existência. Na escola primária partilharam a mesma cadeira, dividiam o lanche, estavam sempre juntos em correrias e brincadeiras, os outros miúdos diziam que eram namorados e eles coravam até à raiz dos cabelos negando uma evidência para toda a gente, menos para eles na sua cândida inocência…
Cresceram e João tomou o caminho do mar, como fizera seu avô, como fazia seu pai. Nunca chegou a dizer-lhe que a amava mais do que tudo na vida, nunca chegou e pedir-lhe que partilhasse a vida com ele. O sol e o sal tisnaram-lhe a pele e deram-lhe músculos e a resistência de um homem ainda a viver no corpo de um menino, a vida deu-lhe outros desafios, mas nunca teve coragem para lhe confessar que a amava e que a queria sua. Nos bailes de sábado à noite via-a a dançar com todos que lhe pediam e ele, com a alma dorida pela sua falta de coragem, ficava num canto a beber cerveja atrás de cerveja, esperando que o álcool lhe desse a força que precisava para se acercar dela e arrebatá-la dos braços dos outros homens, mas isso nunca acontecia e regressava a casa com os sentimentos entorpecidos e sentindo-se o homem mais só do mundo.
Apenas a mãe sabia, as mães sabem sempre o que vai no coração dos filhos. Ela própria já dissera a João que falaria com a sua amada, mas ele proibira-a terminantemente de o fazer. Amava-a no seu desespero, na sua solidão, da forma que sabia e tentava, assim, ser o mais feliz possível, sentindo-se sempre incompleto… Isabel teve namorado atrás de namorado, parecendo procurar sempre algo mais que ninguém parecia saber dar-lhe, contribuindo para o desespero dele que continuava a achar que só existia ela no mundo e que um dia o destino acabaria por os juntar…
A pele morena dela e os seus longos cabelos negros encantavam os seus sonhos, faziam-no sonhar com o dia em que os seus corpos se juntassem na areia de uma praia qualquer onde a lua e o mar viessem abençoar tanto amor, durante tanto tempo cultivado em silêncio… Para João ela não passava de um dos seus muitos sonhos de homem simples que apenas queria acarinhá-la, abraçá-la, amá-la com todo o seu ser, dar-lhe a sua vida…
Quase pensou consegui-lo no dia em que mãe de Isabel faleceu depois de muitos dias de luta inglória contra uma maldita doença que a comeu até aos ossos. Nesse dia João sentiu-se, apesar da tristeza do momento, o homem mais feliz do mundo pois voltou a ser o eterno companheiro dela, durante todo o dia abraçou-a, partilhou as lágrimas dela, acarinhou-a, como se voltassem os dois a ser meninos em eternas brincadeiras praia fora. João foi a âncora dela durante muitos desses dias maus, foi a amarra que lhe deu forças a ela para enfrentar o mar revoltoso dos seus sentimentos e da dor que lhe cruzavam alma, foi aquilo que ele sempre quis, estar ao lado dela quando a vida lhes pusesse dificuldades no caminho. João sonhou então que, desta vez, ela seria sua, que nunca mais o deixaria sozinho na noite com as suas lágrimas por companhia e a sua solidão por destino…
João sonhou mas, uma vez mais, voltou a perder pois ela rejeitava a aproximação de toda a gente. Menos dele pois, para ela, ele significava um porto seguro para onde poderia sempre ir quando estava triste. Mais nada, apenas o seu melhor amigo…
João foi levando os seus dias, amparando a sua solidão com o muito trabalho que o mar lhe dava, um homem do mar é sempre um solitário apesar de ter o céu e as ondas por companhia. Via-a de vez em quando, o rosto amado emoldurado pelo negro dos cabelos, o corpo esguio de menina tomou formas de mulher, sempre um sorriso eterno para ele, o seu melhor amigo, ela a mulher por quem ele nutria um amor incondicional…
O mar, seu companheiro, seu amigo, seu confidente, pregou-lhe então a última partida. Os barcos saíram para o mar em dia de borrasca, era necessário continuar a trabalhar pois o mau tempo já levava muitos dias e não podiam mais ficar a aguardar dias melhores… Saíram, mas o mar alteroso reclamou a vida de alguns, o barco do pai de Isabel, anteriormente chamada de Pôr-do-Sol, depois da morte da mãe rebaptizado de Pouca Sorte fez jus ao seu nome, foi um dos que não voltaram apesar das rezas das mulheres vestidas de negro que choravam de joelhos na praia. João voltou e passou o resto da noite na praia, de mão dada com Isabel, à espera de quem nunca mais voltaria para acarinhar o rosto triste daquela menina que se fez mulher depressa de mais e à custa de muito sofrimento…
Nada mais prendia Isabel aquele mar que tão feliz a fizera, mas que tanta dor lhe trouxera. Para as mulheres, naquele tempo, não havia muito que fazer numa terra de homens do mar como era a Nazaré, ainda longe dos dias cheios que o turismo trouxe, a saída era ir para Lisboa, tinha por lá família que se prontificou a recebê-la e a arranjar-lhe trabalho, de forma que ela pudesse seguir com a sua vida…
Não, tentou João gritar enquanto o velho autocarro desaparecia na curva da estrada… Não…


Autor : Homem-de-Negro

quarta-feira, junho 28, 2006

Afectos

Surgiste inesperadamente
Em minha vida,
Vindo não sei de onde,
De que lugar,
Falaste num tom meigo
E docemente,
No teu mundo,
Pediste para eu entrar!
Nada eu te pedira,
Num momento,
Nada te omitia,
E sem esperar,
Vi surgirem
Rasgos de sorrisos
Que poucos ousariam,
Conquistar.
Depois fomos crescendo
Nos afectos,
Aumentando ainda mais
Essa partilha,
Em que o sorriso valia
Mil palavras,
Em que o teu sorriso
Era a minha vida.
Momentos houve
Em que te não via
Em que tu e tudo
Me parecia ausente.
Bastava imaginar
O teu sorriso,
Para te ter aqui...
Sempre presente!!

sexta-feira, junho 23, 2006

Quando se foge á rotina!!!

Todos nós, cada vez mais nos prendemos ás rotinas. É um facto assumido, somos em verdade seres de rotina. Fazemos tudo mais ou menos nos mesmo moldes, aproximadamente nas mesmas horas, com o mesmo sentido, enfim...
O que eu nunca imaginei, é que os outros se prendessem tanto ás nossas rotinas!!!!
Quando temos a veleidade de nos afastarmos mesmo que momentaneamente das nossas rotinas, há sempre alguém a extrapolar os nossos motivos.
Quem me conhece, sabe que eu sou uma frequentadora assídua de um determinado chat. Divirto-me lá á brava, faço a festa, deito os foguetes vou apanhar as canas...enfim, pareço um verdadeiro arraial de Sto António, ou de S. Pedro, ou de S. João (que a ultima coisa que eu quero é ficar de mal com os Santos!).
Nas ultimas 4 semanas motivos profissionais impediram-me de ter a minha rotina de Festas. Eu sou muito apologista da frase que diz “trabalho é trabalho....cognaque é cognaque”, decidi que para as Festas haveria tempo....e que o trabalho estaria inevitavelmente em primeiro lugar.
Depois de alguma interrupção, deparei com os comentários relativos á minha ausência que me deixaram abismada.
Sem ver de quê nem para quê, assim sem saber ler nem escrever....eu já estava a tratar do divórcio e até já tinha um caso com alguém do chat, e a minha vida estava pelas ruas da amargura!
Eu até sei que existe imensa gente a fazer figas para que o Céu me caia em cima da cabeça... eu sei que a minha disposição pode incomodar muita gente... eu sei que muito se fala do que não se sabe...eu sei da dificuldade que muita gente tem em ficar calada...eu sei que quem não sabe inventa...eu sei que há gente que se sente brilhar quando fala da vida dos outros...bolas...afinal até sei muitas coisas (até estou abismada comigo!!!).

Para quem me conhece e leu muitas das baboseiras que se escreveram, só venho esclarecer que estou bem.....nada de divórcios, nada de romances, nada de emoções fortes demais, nada de stresses nem depressões.... O meu único problema foi ter que refazer em 4 semanas uma base de dados de 2 anos.
Para quem fala só porque não tem mais nada que fazer, apenas posso desejar que morda a língua com força suficiente para que nunca mais se esqueça, de que não se deve falar daquilo que desconhece. A mentira tem pernas curtas e mais facilmente se apanha um mentiroso que um coxo!!! Agora sim....sinto-me muito mais aliviada! Ufaaaaaaa!!!!

quinta-feira, junho 22, 2006

Por favor não me perguntem


Por favor não me perguntem,
O que é que eu quero ser,
Quando for grande e crescer!
Posso ser Advogado,
Médico ou Veterinário,
Posso ser um Vendedor,
Padeiro ou Agricultor,
Eu sei é que posso ser,
Tudo aquilo que eu quiser!
Também sei que vou estudar,
Ler e por mim pensar,
Para poder decidir,
Tudo aquilo que vou ser,
Quando for grande e crescer.
Mas agora eu sou menino,
E só sei que quero brincar,
Com o meu irmão João,
Longas horas sem parar!
@utor: Diogo, 7 anos
(um dos meus amores)

terça-feira, junho 20, 2006

Para Ti


Vou dizer-te agora,
Os brilhos com que te pinto
Vou falar-te das estrelas
Onde te encontro!
Vou falar-te do bramir manso
Que calam palavras que não dizes.
Vou falar-te do meu coração
Que vibra a cada sentir da Alma.
Vou fechar os olhos,
Para sentir o sabor dos teus beijos.
Vou alentar-te no peito
Com as canções onde te invento.
Vou gostar apenas de saber
Que nada haverá no mundo,
Que me faça sentir o meu Mar,
No enorme desejo sentido,
De apenas Te achar!!

sexta-feira, junho 16, 2006

Dias Dificeis

Ele há dias muito difíceis!
Há dias em que nem por um milagre se arrancam sorrisos e em que tudo se veste em tons de Cinza!
Há dias em que tudo parece correr mesmo mal, e quando se julga que pior não pode ser, lá vem mais um acontecimento retirar-nos esta convicção e deitar por terra a crença que já tínhamos rasado o chão, para nos relegar ás caves do sentir!
Depois, o resultado é um mau feitio intragável, que fica à vista de todos. Ainda por cima, nestes dias, toda a gente repara que estamos mal humorados e quer saber porque carga de água nos sentimos assim. O facto de explicar-mos ou não, ainda nos irrita mais, ainda nos lembra mais que estamos fora de nós e com falta de paciência!
Não adianta murmurar coisas sem nexo, pensar em mil desabafos.... dizer o que nos vem á cabeça, apenas porque nada altera o nosso estado de espírito.
Lá começo então a culpar o mau tempo, mais a Lua, mais as estrelas...mais a carrada de gente que me tira do sério, na esperança de conseguir encontrar um escape para este estado de espirito tão avesso aos meus sentires.

A verdade, é que me sinto cansada! Muito cansada! Sinto-me uma panela de pressão, prestes a fazer rodar a carrapeta, na esperança que tudo se dissipe lentamente...na esperança que o dia que nasce me faça sentir mais calma, mais tranquila, mais serena!

Enquanto o dia não nasce, fico embalada no silêncio que me acalma. Vou tentar que a Noite me chegue nos brilhos das Estrelas que me iluminam e que sempre me indicaram os meus caminhos. Vou tentar ouvir o meu Mar com o sentir de quem quer escutar. Quem sabe, o amanhã não me trará um dia melhor!

quarta-feira, junho 14, 2006

As tuas Histórias, Margarida!

Hoje vou falar-vos da Margarida. Há cerca de um ano atrás, em Junho, encontrei a Margarida, neste mundo virtual, feito de palavras, feito de encantos. Encontrei-a pelas mãos da sua mãe, que decidiu dedicar-lhe todas as histórias do Mundo, e outras que ainda não existissem. Nessa data, a Margarida já não se encontrava entre nós, tinha partido há um ano, e a mãe Lochnessbeuty, achou que esta seria uma forma de imortalizar a sua Margarida criando um espacinho terno e cheio de carinho onde lhe contaria histórias. Foi um dos espaços mais belos que frequentei, porque o Amor era evidente em cada conto, em cada comentário, em cada traço.

Hoje, por ser Junho, e porque a Margarida, sem que eu desse conta se instalou nas minhas memórias, relembro-a aqui, e deixo-lhe um poema, feito para ela, na altura em que ainda lhe contávamos contos. Jamais deixei de pensar nela e na sua mãe, que por ser tão bela, me marcou os meus sentires para sempre!

Para a Margarida

Gosto de ti Margarida,
Não me perguntes porquê,
Nunca julguei ser possível,
Gostar de quem não se vê!

Mas não tento encontrar,
Neste afecto explicação,
Pois são desígnios da Alma,
Sentidos no Coração.

E o meu coração me diz,
Que algures no céu sem fim,
Existe uma estrela linda,
Que brilha apenas para ti!

Nós por cá vamos contando
Histórias para tu ouvires,
Contadas pela tua Mãe,
E quem sabe, até sorrires!!

E a tua Mãe, é tão linda,
Das mais lindas que conheço!
Pois de te Amar desta forma,
Tem o meu afecto e apreço.

E sinto-me bem aqui,
Pois perto de tanto Amor,
É fácil esquecer as mágoas
Que nos podem causar dor!

E por isso virei sempre,
(Sem história de momento),
Dizer de forma sentida,
Que estás no meu pensamento!

terça-feira, junho 13, 2006

É uma honra!!!!

Olá, meus queridos amigos!
Queria desde já começar por agradecer à minha irmã Igara o convite para participar neste espaço repleto de magia. Magia que vem da Alma, do Coração. Devo dizer que é uma honra voltar a estas lides bloguistas, ainda mais por ser ao lado de alguém muito, mas muito especial.
Aos amigos que já conheço do blog antigo um grande bem-hajam.
Aos que vou conhecer espero que disfrutem dos nossos sonhos, sentimentos, sentidos!
Um beijo enorme salgadinho como a àgua do mar!

quarta-feira, junho 07, 2006

Adeus!


Adeus!
Parte agora,
Não fiques parado em mim,
Leva mansos,
Sussurrados,
Os Beijos que foram dados,
Lembranças boas,
Sem fim!

Adeus!
Parte convicto,
Sem sentir hesitação,
Leva sonhos,
Partilhados,
Os Abraços embalados,
Pelo Sentir,
Do coração!

Adeus!
Parte em Silêncio,
Não me leves na memória,
Leva apenas,
As Palavras
Que entre nós foram trocadas,
Para pintar,
A tua História!

terça-feira, junho 06, 2006

Se um Dia


Se um dia

Eu pudesse despertar,

Abençoando a minha vida

A cada passo,

Se eu te envolvesse

Por acaso,

Como quem dá e sente,

Um mesmo abraço,

Se a cada caminho meu

Algo florisse,

Como testemunho meu,

Do teu sorriso,

Iria certamente despertar,

Com vontade Absoluta,
De Ficar!

quinta-feira, junho 01, 2006

Saudade



Tenho saudades de ti,

esqueci o porquê da distância,

talvez porque cresci

Já não lhe dou importância

Sei que te vou recordar

Porque foste importante

Perdi-te para te reencontrar

Para te ver cintilante

As saudades dos momentos

Duma amizade passada

Das emoções

Dos sentimentos

Da vida partilhada

As memórias que me trazem

Ao presente

As gargalhadas

As histórias

As tolices

As lágrimas

As palhaçadas

Há um tempo

Em que te guardo

E um espaço que é só teu

mesmo que não te encontre

para olhar o mesmo céu

(Que as memórias são assim

Andam sempre a esvoaçar

Umas fazem parte de mim

Passeiam na alma a pairar)

Autor: Rats

segunda-feira, maio 29, 2006

Voarei


Voarei sempre,
Marcando novos compassos,
Em busca de novos espaços.
Voarei sonhando sempre,
Tentando assim encontrar,
Tudo o que a vida me quer dar.
Voarei sem me cansar,
Pois nesta busca eu sei
Que algures me encontrarei!
É neste voo incansável,
Com que marco o meu Destino
Que vou encontrando a forma
De dar cor ao meu caminho.

quarta-feira, maio 24, 2006

Há uns tempos atrás escrevi um texto, que publiquei no antigo blog, para uma pessoa que me foi muito importante. Ontem, ela deixou de fazer parte corpórea da minha vida, a morte, levou-a nos braços. Dela, ficarão sempre as lembranças doces, será sempre assim que a recordarei: A mulher mais linda, que cruzou a minha vida.
"Hoje acordei com o pensamento na Nizé! Vou falar-vos dela, para a partilhar um bocadinho….
Nizé entrou na minha vida, pelas mãos do João, tinha eu 13 anos. João era filho de Nizé e meu primeiro namorado. Quando João ma apresentou, Nizé franziu o sobrolho, olhou e disse-me “Eu queria conhecer a menina que arranca o João dos livros”, depois, rasgou um sorriso e acrescentou “gosto de conhecer, quem quer bem ao João!”. Nesse dia gostei simplesmente da Nizé! Sempre que ela saía para trabalhar e nos deixava sozinhos em casa, fazia questão de deixar bem claro que confiava em nós, e que se nós gostávamos um do outro, jamais faríamos coisas de que nos arrependêssemos. A confiança que ela tinha em nós nunca foi traída, mesmo porque era a primeira vez que alguém confiava em mim, e eu jamais a desiludiria.
Sempre que eu chegava perto da Nizé, dava-lhe um beijo, e enquanto a abraçava perguntava-lhe rindo :- “Nini, será que hoje, ainda gostas de mim?”, ela, quase sempre respondia, que eu era a Índia mais bonita que ela conhecia, e corria, logo de seguida, a fazer os bolos de coco, que faziam as minhas delicias.
Muitas vezes, enquanto o João estudava, eu e a Nizé conversávamos horas a fio. Eu, que desde pequena adorava ouvir histórias, ouvia, sorvia, e deixava-me embalar, pelo som que o mar tinha, nas palavras da Nizé. Falava-me de Luanda, dos seus, de tudo o que deixara para trás, mas falava muito na árvore do seu coração, o Embondeiro, foi pelos olhas dela, que conheci a grandeza do Embondeiro. Cantávamos e dançávamos, tendo sido ela a minha professora de Kizomba, a pessoa que descobriu que eu dançava muito bem, segundo ela fazia questão de dizer a toda a gente.
Nizé foi a negra mais linda que cruzou a minha vida, uma das mulheres mais bonitas e mais meigas e que conseguiu fazer, com que eu com apenas 13 anos, brilhasse todos os dias. Era como uma estrela para mim.
Certo dia de Junho, estando eu à beira de regressar definitivamente a Lisboa, Nizé disse-me que me queria falar. Eu larguei tudo e corri para o colo da Nizé. Estranhamente, os olhos dela não brilhavam como de costume e as rugas da testa estavam mais profundas, o sorriso não era tão grande, e à minha pergunta habitual, ela respondeu de forma diferente: -“ Gosto de ti, como de uma filha!”. Percebi imediatamente, que ela se queria despedir de mim, e o meu coração ficou pequeno…eu andava a adiar aquele momento à tanto tempo, e agora, a frontalidade da Nizé , deixara-me desarmada. Agora era tarde para ser forte, porque as lágrimas corriam copiosamente, e apenas me restava buscar consolo, no ombro da que tinha sido, a mulher mais criança, de que eu tinha memória. Mas Nizé nesse dia, decidira dar-me uma lição de vida, olhou-me nos olhos, pegou na minha mão, como que a pedir a minha atenção, e começou a falar para mim. Esta abordagem era nova, ela havia sempre falado para nós (eu e João), tinha falado dela, dos seus, mas nunca directamente para assuntos relacionados comigo, ela nunca havia falado para mim! Foi então que começou dizendo: “ Na vida, terás que aprender, que a beleza das coisas está em dar e receber! Não adianta dar como tu dás, se o que recebes em troca, é muito pouco. Se achas que eu não tenho razão, pensa comigo. O teu riso, encheu a minha casa, os teus gestos e o teu jeito, encheu o coração do João, a tua ternura, encheu o meu coração de mãe….que tiveste em troca? Muito pouco….merecias muito mais!
Sempre que deres farinha, filha, espera receber em troca pão ou bolo…
Sempre que deres sorrisos, tens que esperar receber em troca gargalhadas…
Sempre que deres amor, tens que receber, no mínimo, respeito.
Não há nada que faças, que não tenha outro gesto como retorno, como tal, cuida que os gestos que fazes, estão de acordo com o que o teu coração quer, porque só assim, ele vais estar preparado para receber o gesto de retorno.”
Muito mais nós falámos nesse dia, entre choros e gargalhadas, mas acabámos por brindar no fim do dia, com bolos de coco e sumo de laranja.
Nesse dia à noite, eu e João descemos à praia, o mar estava calmo, a ondulação esbatia-se mansamente no areal. Sentados à beira mar, olhámos o Mar em redor. João, abraçou-me, beijou-me na testa (segundo ele, era sinal de respeito), conversámos muito tempo, e acabou por me confessar, em tom de brincadeira, que por vezes, tinha a sensação que eu gostava mais da Nizé do que dele. Selei a conversa com um beijo profundo, um daqueles beijos que acontecem sempre à chegada e ás despedidas, um beijo intenso, que nos fez tremer a ambos. Nesse dia, pela primeira vez, falei ao João dos meus sentimentos, dos meus medos, dos meus desejos, ele, o meu querido João, ouviu-me e respeitou-me e sei que até hoje, me guardou no seu coração, em lugar especial. Nizé, ficou para sempre nas minhas memória, como sendo a pessoa que mais me fez crescer num dia…Nizé, foi sem duvida a Negra mais linda, que alguma vez conheci!!!!"

terça-feira, maio 23, 2006

Tristeza



Estou triste!
Esta tristeza que chega sem tempo
Esta tristeza que vem mansa,
Que se instala, que me cansa.
Os pensamentos só a aguçam,
O tempo só a agudiza,
Sinto-me assim perdida,
Navegando aqui vazia...
É novo este sentimento,
Que chegou vindo com o vento,
Carregado de memórias,
Trazendo á lembrança histórias
E é no meio de pensamentos,
Que vou traçar o meu caminho,
Já sem pressa na chegada,
Caminho....devagarinho!

quinta-feira, maio 18, 2006

Eu



Não me busques
Nas angustias de que te vestes
Não me busques,
Nas palavras que não digo
Não me busques,
Nos sentires que não conheces
Não me busques,
Nos caminhos que eu não sigo

Encontra-me,
No silêncio que te acalma,
Encontra-me,
Nas palavras que eu clamar,
Encontra-me
Na nudez da minha Alma,
Encontra-me
Nos trilhos que eu traçar.

É assim que quero que me vejas
É assim que eu quero e que me dou
É assim que me afasto de incertezas
Sendo apenas aquilo que eu sou.

quarta-feira, maio 17, 2006

QUERO


Quero
Ter-te em meus braços.
Suspirando cada momento num carinho
Em que bocas se procuram sem cessar,
Em que meu corpo seja o teu ninho,

Quero
Ter-te colado,
Ao meu corpo que teima em acompanhar
Sentindo-te a cada momento mais cingido
dançando a cada momento do teu balançar!

Quero
Sentir essas mão,
Que avidamente buscam a minha pele
Suspirando de prazer, então sem recato,
Em êxtase infinito de sabor a Mel!

Quero
Ficar por fim,
Envolta no teu cheiro e nos teus braços,
Sentido o teu calor que me impulsiona
A conhecer de olhos fechados todos os teus traços!

terça-feira, maio 16, 2006

Canção de Embalar


Dorme meu Menino,
Que eu zelo por ti.
Dorme o teu Soninho,
Aconchegadinho,
Pertinho de mim.
Que os Anjos do Céu,
Te guardem a Alma,
Que eu beije essa face,
Tão pura, tão Calma!
Dorme meu menino,
Calmo e Sossegado,
Que eu canto para ti,
Dorme descansado

sexta-feira, maio 12, 2006

Hoje

Hoje,

Não mentiria,

Ao dizer que te Amo!



Hoje,

Ficaria embalada,

Nos teus braços!



Hoje,

Exigiria os beijos,

Que me dás e que não sinto!



Hoje,

Ficaria envolta,

Nas palavras com que me brindas!



Hoje,

Pintaria a tua tela,

Em cores feitas por mim!



Hoje,

Temeria o despertar,

Com medo que de tanto te sonhar,

Te pudesse perder, no acordar!

quarta-feira, maio 10, 2006

Murmúrios de paixão

As palavras mais belas
São as que me nascem do teu corpo
Cabelos, lábios, olhos, braços...
Até o peito, onde me aconchego.
Escrevo-as devagar...
Como se lhes tocasse
E cada uma delas é como um espelho
De onde se libertam as tuas mãos,
Dedos e olhos...
Que beijo num murmúrio de segredos.
Precipitam-se sinónimos,
Adjectivos com objectivo,
Pronomes com carícias doces,
Sílabas encontradas na falésia do desejo
Mas abro o livro
Para além de palavras
É a ti que eu quero
E faço-as voltar até onde nasceram
Cabelos, olhos, lábios, braços...
Até o peito, onde me aconchego.
Autor: Le_Poete

terça-feira, maio 09, 2006

Entregas


Procuro nas memórias pensamentos,
Que cheguem como as águas do meu Mar.
Que me tragam pensamento convergentes,
Que me digam o porquê do meu pulsar.

Procuro a tua boca que me beija
Que me toca na pele com tal doçura
Que me faz tremer a cada toque
Que enche a minha vida de ternura.

Procuro o teu corpo que me enlaça
Que pinta a minha vida de alegria
Que sacia o meu corpo que te busca
Que impele a amar-te mais a cada dia.

Procuro apenas ter a tua entrega
Procuro dar-te parte do meu Ser
Procuro saciar os nossos corpos
Que anseiam por dar e receber!

segunda-feira, maio 08, 2006

Memórias

Eram 3 da manhã. Os acontecimentos desse dia, tinham-me deixado anestesiada, sem saber como reagir. Tinha vontade de desatar num pranto, mas não! Tinha decidido que não iria chorar! Enquanto a enfermeira me explicava que eu podia ficar no quarto com o meu filho, mas que apenas dispunha de uma cadeira para passar a noite…que o tratamento a que ele iria ser sujeito, seria muito traumatizante…Enquanto ela falava, tudo me ecoava na mente. Tinha a estranha sensação, de que o meu corpo estava por ali mas a minha mente vagava. Tentava reconstituir o meu dia, na esperança de entender o que se havia passado.

O meu Diogo tinha tardado a acordar nessa manhã. Eu tinha amamentado o meu filho João já há muito, e o Diogo mantinha-se no seu quarto. Eu estava já inquieta e resolvi ir ver o que se passava com ele. Aproximei-me da cama e ele gemia baixinho, e ardia em febre. Assim que acendi a luz do quarto, estremeci ao verificar que ele estava francamente doente. Toda a face esquerda estava inchada e ele já nem conseguia abrir os olhos. Tentei colocá-lo de pé, mas ele tombava, por falta de equilíbrio. Chamei o meu marido, pegámos no João, e enquanto conduzíamos rumo à pediatra, eu telefonei-lhe a contar o estado em que o Diogo ia chegar. Ela preparou-me de imediato, para uma situação de emergência complicada. Quando chegámos, tivemos atendimento prioritário. Assim que a médica lhe fez a primeira avaliação detectou que o Diogo estava com rigidez da nuca. Remeteu-o para as Urgências hospitalares e assim que chegámos, já o hospital tinha sido avisado que iríamos chegar. Depois, tudo se passou de uma forma quase Surreal. Tiraram-me o Diogo dos braços e advertiram-me que lhe iriam fazer uma punção lombar, para determinar se havia meningite ou não. Antes dos resultados chegarem, ele teria que ir fazer uma T.A.C. ao Hospital de S. José. Quando dei conta, já estava dentro de uma ambulância que se deslocava a uma velocidade assombrosa, pelas ruas de Lisboa. O meu marido seguia-nos de carro. O Diogo, dizia algumas vezes “mamã, dói a cabeça mamã”, e pedia-me o pescoço. O Diogo nunca havia usado chucha, mas o meu pescoço era o seu aconchego. Ele buscava sempre o meu pescoço, quando queria dormir, ou quando simplesmente, queria afecto. Eu aproximei-me dele e puxei a sua mãozinha, a que não tinha soro, para o meu pescoço. Ele apenas sorriu. Eu fiquei ali a repetir-lhe que o amava, que tudo ia correr bem, que ele era a minha vida, que eu ia tomar conta dele…sei lá mais o quê. Chegámos ao hospital perto das 22 horas. Teríamos que esperar pelas 24 para que a TAC pudesse ser feita. O Diogo ardia em febre, apesar dos antipiréticos, e dos cuidados constantes do enfermeiro que nos acompanhava. Eu cantava para o acalmar. Beijava-o, e não me cansava de lhe dizer que o amava. Sentia-me impotente! Pela primeira vez na vida, senti como era não poder fazer nada! Pela primeira vez, senti o quanto era frágil, ao perceber que poderia ruir a qualquer momento, como um simples castelo de cartas.
Cerca da 1 da manhã, o Diogo fez a TAC e logo em seguida, foi visto por um oftalmologista do hospital, que emitiu um relatório reservado. Cerca das 2 da manhã, saímos de S. José, de retorno ao Hospital da Estefânia, onde ele iria receber ordem de internamento.

Naquele momento, eu estava a ser informada que o Diogo tinha Meningite viral, e uma celulite orbital à esquerda, que o tratamento iria ser moroso, doloroso e traumatizante…Eu olhei para a Enfermeira chefe e perguntei-lhe olhando-a nos olhos “Ele vai ficar bem?”. Ela com o saber de quem já se habituou àquelas perguntas respondeu apenas “as próximas 72 horas são determinantes. Mas certamente, que irá correr tudo bem. A mãe precisa de ter calma, e sobretudo, não transmitir ansiedade ao bebé!” O meu Diogo iria fazer 2 anos e meio a 23 de Maio. Estávamos a 16 de Maio, e de repente, tudo estava obscuramente remetido ao reinos dos “ses”, onde todas as impossibilidades eram possíveis, onde tudo podia acontecer.
Durante os 3 dias seguintes, eu só saí de ao pé do Diogo, para comer e amamentar o meu João. O meu marido tentava dividir-se entre o Hospital e o João. Ele procurava saber nos meus olhos, como é que eu me sentia e não se atrevia a perguntar-me nada, com medo que eu desabasse a qualquer instante. Ele sabia que devido à minha fragilidade, uma palavra era o bastante para me deitar por terra facilmente.

Ao fim de 5 dias, o Diogo, deu os primeiros sinais de melhoras. A febre baixou, ele chamou por mim, pediu-me o pescoço, e tinha fome, queria mamar! Chamei os médicos, para que o viesses ver. O inchaço da cara, começava a diminuir e o Diogo já se começava a abrir em sorrisos. Ele tinha fome, e esse era um bom sinal. Os médicos ficaram surpresos ao saberem que ele ainda mamava e porque o leite materno era facilmente digerível, deixaram que eu o amamentasse. Garantiram-me que o Diogo ficaria bem, e que lá para Julho, sairia do hospital. Eu estava ávida do meu filho!!! O Diogo mamou, teve todo o pescoço que quis, e antes de adormecer, perguntou pelo Pai. Enquanto o Diogo dormia, eu telefonei ao Pai. Contei-lhe como o menino estava melhor, que tinha perguntado por ele, que já sorria, que tinha mamado…enfim…o meu marido não cabia em si de contente. Passado 30 minutos estava ao pé de mim com o João e disse-me: “Agora vai…vai dormir, tomar um banho. Vai comer, hoje quem dorme cá sou eu! Volta logo para dares mama ao menino, mas dormes em casa, pode ser?”. Abracei o meu marido pela primeira vez desde o início destes acontecimentos, e acedi ao seu pedido. Fui olhar mais uma vez o Diogo. Era mesmo lindo o meu menino! Agora sim, ele tinha conseguido resistir, era definitivamente um lutador!

Peguei no Joãozinho, abracei-o e disse-lhe “Também te amo muito meu filho, mas o mano precisava muito de mim!”. O João estava com 5 meses, e o pai, como sempre tinha acontecido, havia tomado conta dele de uma forma exemplar. Agora tinha a certeza que tinha em definitivo, os meus 2 meninos de volta! Tomei rumo à casa dos meus pais. Lá amamentei o João, pedi-lhes que tomassem conta dele por essa noite e fui tomar um banho. Enquanto a água me invadia, os músculos relaxavam e a tensão ia desaparecendo, chorei! Quis lavar toda a dor contida e o sofrimento calado, naquela água que percorria o meu corpo. Sentei-me na banheira e enquanto a água caía, eu finalmente, deixava-me envolver num choro descontrolado e compulsivo. Já no meu quarto, chorei horas a fio, até que o cansaço se apoderou de mim e me fez adormecer.
No dia seguinte, acordei renovada. Fui para o hospital e com o meu marido, acompanhámos a recuperação do Diogo. O Diogo teve alta do hospital a 3 de Julho.
Cada vez que chega o mês de Maio, chegam-me as memórias destes meus dias negros. Penso, que o maior choro que alguma vez tive, foi o que eventualmente, me garantiu alguma sanidade, quando a minha vida quase deixou de fazer sentido. O choro, que exorcizou, os meus sentires de dor, foi o garante, que eu ficaria forte, para conseguir assistir às melhoras do Diogo e continuar a cuidar do João.

sexta-feira, maio 05, 2006

Palavras



A Palavra é Sagrada

Se é dita,

Se é tocada,

Falada com intenção!

Pode ser forte a Palavra

E se em vão for usada,

É como adaga espetada,

Lançada com intenção!

Mas a Palavra sentida,

Que é dita,

Que é proferida

Que diz o que vai no peito,

Merece ser Entendida,

Merece ser Comedida,

Merece Sempre Respeito!

quarta-feira, maio 03, 2006

Era Uma Vez (Uma História de Amor)

Hoje, decidi partilhar convosco, uma história, a primeira história feita pelo meu filho mais velho. É já a terceira vez que a publico nestas lides dos blogs, mas não resito em fazê-lo mais uma vez.




Era uma vez o Mar! O Mar era tão grande que achava poder tocar o Céu. Todos os dias ele tentava, a todo o custo, mas as marés, cada vez mais fortes, acabavam por desistir. Aquele desejo de tocar o Céu transformou-se em Amor. Era um Amor maior que qualquer maré, maior que o próprio Mar. O Céu começava a desejar tocar o Mar, mas os ventos e as marés não foram feitos para se tocarem. Foi então que o Horizonte, cansado de tanto desencontro, decidiu falar para acalmar Céu e Mar:
-Eu sou o Horizonte, e quem a través de mim olhar, não saberá distinguir onde termina o Mar e começa o Céu. É através de mim, e porque assim tanto o querem, que irão permanecer juntos, de forma tão infinita, como eu o Horizonte o Sou.
"É por isso que eu sei, quando olho para o Mar, que apesar da distância que o separa do Céu, eles se encontram sempre no Horizonte!"
Autor: Diogo, Janeiro de 2003 (6 anos)

terça-feira, maio 02, 2006

Escusas de vir!!!


Escusas de Vir,

Deambulando nas palavras

Enchendo o meu coração de sonhos!



Escusas de Vir,

Tocar a minha pele

Como se continuasse a ser tua!



Escusas de Vir

Beijar os meus lábios

Tentando calar a minha Alma!



Escusas de Vir,

Envolver-me nas mentiras

Que cegamente me prendiam a ti!


O meu coração já não te sonha!

Meu corpo só a mim pertence!

A minha Alma te diz,

Que o meu coração não te mente!

Por isso...

Parte para sempre,

Escusas de Vir!

quarta-feira, abril 26, 2006

Olhos



Se os Olhos são, como dizem,

Espelhos do Coração,

Pediria que me olhasses

E neles tu desbravasses,

Esta minha Imensidão!

Não te diria Palavra,

Quase Pouco

Quase Nada

Para que me olhasses então,

No fundo do Coração!

segunda-feira, abril 24, 2006

A minha Alma


Podes pedir quase tudo

O Coração o Amor

Só não me peças a Alma

Que é livre e nunca se prende

A sentimento maior.

A minha Alma esvoaça

E noutras se entrelaça

Não tem dono não tem cor

Não tem Credo não tem Raça

Não tem nada que a faça

Ficar presa a onde for!

Minha Alma é viajante,

Sonha tocar as Estrelas

É por ela ser assim

Que sei que há coisas belas!

Mergulha no Mar imenso,

Sentindo um calor intenso

Explode, Ama, Revigora

Parte sempre com a Aurora

Em busca do meu querer!

E eu quero ficar assim,

É da minha Natureza,

Ter meu corpo para ti,

Sem minha Alma estar presa!

sexta-feira, abril 21, 2006

Expressões que me tiram do sério!!!!!!

Eu sei que não sou uma pessoa com muito bom feitio, mas o que é certo é que nos últimos tempos, tenho sido assediada por dias verdadeiramente negros. Foi exactamente num desses dias negros, onde nem com a ajuda do Farol de Constantinopla se conseguiria fazer luz, que decidi fazer um apanhado de expressões que me deixam tresloucada (sim é isso mesmo, louca 3 vezes). O meu empenho foi de tal ordem que cheguei a imaginar mesmo a entrega de óscares à séria mesmo à laia de Hollywood . Será então por categorias que irei partilhar as expressões que me viram do avesso, e olhem que quem quer que seja, virado do avesso não será certamente um regalo para a vista.

1º Expressões que me tiram do sério

a) “Oh pá, tu não me digas…”

Irrita ouvir esta expressão, principalmente se já dissemos a coisa que supostamente não deveríamos ter dito! Podia ter avisado antes, que não queria ouvir, aí ainda havia hipótese de podermos ficar calados, é que depois de dizer, já não há nada a fazer!!!

b) “Isto são favas contadas….”

Que se contem carneiros para adormecer, eu ainda entendo. Que se contem petas, ainda vá lá que não vá…mas favas? Porque não ervilhas, lentilhas, o belo do feijão, o grão, até o tremoço? Sim porque até vos digo, há muito mais piada em contar os tremoços enquanto se bebe uma boa imperial, que contar favas.

c) “Não me acredito que estejas a falar a sério…”

Esta expressão denota que a pessoa que a profere, pertence à categoria dos incrédulos. Apetece logo gritar bem alto, preferencialmente perto do ouvidinho…”Mas já não se pode falar a sério ou quê?”. Numa segunda análise, pode dar azo a outros desabafos menos bonitos de se ouvirem, mas que podem reflectir a indignação daquele cuja veracidade é posta em causa (vou poupar este blog do calão e das palavras menos vernáculas).

2º Expressões que me irritam solenemente

a) “Assim também eu….”

Habitualmente esta frase é dita por alguém, que nem assim conseguiu fazer. A frase em si, nem me causaria muita repulsa se não viesse acompanhada de um arsenal de pequenas coisas que me deixam no limiar da insanidade. Senão vejam as hipóteses:

* “Assim também eu…mas não me disseste que podia fazer assim…”

oh pá, já agora, não queres o rabinho lavado com água de rosas não? Desculpa mas a cabeça não é só para usar cabelo e chapéu (nem vou colocar os lenços, que agora andam muito em voga)!

* “Assim também eu…” enquanto se puxa para baixo a pálpebra inferior.

Dá logo vontade de perguntar se o que faltou em inteligência passou a haver em excesso no olho.

b) “É assim, é a vida…”

Excluo desta minha análise, o que efectivamente, é culpa da vida (a morte), e que nesse contexto, merece o meu respeito. Esta afirmação quase toca o transcendente, não fosse o facto de colocar na “vida”, o fardo das situações mal resolvidas que se deixaram em aberto, vá-se lá saber porquê. È sem dúvida nenhuma, mais cómodo culpar a “vida” pelos nossos pontapés, que constatar que o pé foi nosso e a culpa também!

c) “Quero que me digas a verdade”

A verdade verdadinha, é que quem faz este pedido quer ouvir tudo menos a verdade! Quem ouve este pedido sabe à partida que está quilhado. Sabe que vai ser preso por ter cão, e preso por não o ter. Habitualmente é resultado de algum tipo de relacionamento, onde a mentira existiu, o que se pode vir a revelar um cargo de trabalhos. Ah pois é….porque se existe a confissão de que se mentiu, falando a verdade, cria-se o precedente da desconfiança. Se a opção for continuar a mentir com quantos dentes se tem na boca (englobo também aqui as próteses dentárias), quem quer saber a verdade, continuará a achar que é mentira e vai deixar sempre em aberto e de forma bem latente sinais de desconfiança.

3º Expressões que me fazem espumar de raiva

a) “Desculpa, não queria escrever aquilo…”

Esta é sem dúvida uma das expressões mais disparatadas que eu conheço. Pode não se querer dizer alguma coisa e sem querer acabar por sair da boca para fora. Pode não se querer fazer algo e acabar por se fazer por motivos diversos…mas escrever? É que dá logo vontade de perguntar “olha lá... estás a passar-me atestados de estupidez ou quê?” ou então de uma forma mais simplista perguntar apenas “Tu estás parvinho (a) ou quê?”. Para os que me julgam susceptível, a verdade é que apenas escrevemos o que queremos, como queremos, e nos termos em que queremos. Quando damos a ler a alguém algo escrito por nós, tivemos tempo para reflectir se era efectivamente aquilo que queríamos dizer. Não adiantam os pedidos de desculpas porque uma mão, nem sempre lava a outra, e venha de lá a coragem de se assumir o que se faz. Afinal de contas, só muito raramente temos uma arma apontada ás nossas cabeças que nos obrigue a escolher entre o que não queremos fazer e o nosso amor à vida (esta situação é um bocado melodramática, quase pede a companhia dos violinos)!

b) “Não consigo viver sem ti….”

Uma frase que comece assim, levada à letra, faz-nos pressupor que logo a seguir a termos virado costas, a pessoa que nos dedica esta expressão, vai ser vítima de uma apoplexia fulminante e cair redonda no chão sem saber ler nem escrever. O que acontece na realidade, é que para grande espanto, se continua a respirar, o sangue continua a fluir, e tudo continua a mexer como antigamente. Quando se ouvem frases que começam desta maneira não admira que a maioria das respostas comecem com algo do tipo “ Não consegues viver? Então vão morrer longe para não cheirares mal..”, ou então, “ Desse problema eu não vou sofrer, livra….”

c) “ Sou capaz de pôr as mãos no fogo….”

Irra que isso é que é coragem. A menos que se seja Fakhir de profissão, esta frase não faz muito sentido, na medida em que o cheiro a carne queimada não é de todo agradável, e porque as queimaduras de 1º e de 2º grau demoram tempo como a gaita a cicatrizar (isto já para falar, que deve doer como o caraças). De toda a maneira se o que se pretende dizer é que se confia cegamente em alguma coisa, credo, então aí piora tudo. Por mim eu falo, que já me vi a fazer e sentir coisas de que jamais me acharia capaz. Se todos nós temos esta limitação de nos conhecermos, como podemos ter a pretensão de confiar cegamente nos outros ao ponto de darmos as nossas mãos como garantia? Sou sem dúvida mais apologista do provérbio que diz “cada um sabe de si”, que é como quem diz, “nem quero saber, que se lixe”.
Muito mais frases haveriam, mas estas foram seleccionadas por mim, de acordo com o meu mau feitio, e tendo em conta, que o humor negro que me assola chegou como o Citroen, veio para ficar, e ficou mesmo. Se tiveram paciência para me ler, admiro-vos a pachorra se não a tiveram admiro a sinceridade.

quinta-feira, abril 20, 2006

Desculpa

Cada passo que eu desse em teu caminho,
Alvitraria uma esperança fugidia,
Remeteria a Dor dentro do peito,
Lançaria apenas laivos de Alegria.
Onde o Céu alcança a Alva Estrela,
Serei sempre eu, que por ti zela!

Cuidava que fosse diferente o meu sentir,
Ambicionava dar-te mais do que podia,
Retomando os sonhos que me deste,
Laudanizaria a dor que em mim havia.
Obstante este meu querer, não consegui,
Semeei apenas a Dor dentro de ti!

quarta-feira, abril 19, 2006

Para o meu Amigo!



Sonhei contigo amigo
A noite inteira.
Sonhei que em minha
Alma Alada eu te levava,
Enlevados
Ao sabor da madrugada!

Pisaste comigo
A areia Branca,
Ouvindo ao fundo
As vozes das marés!
Sentiste no teu rosto
A maresia,
Como rasgos,
De quem foste,
De quem és!
Apontei-te então
A minha Estrela,
A que surgia logo
Sobre o Monte,
Dizendo-te que em
Cada adversidade desta vida
Sempre há
Mais uma Estrela a Horizonte!
Levei-te então
A ver a cor da Terra
Molhada,
pelo orvalho que a fustiga,
Entre gotas puras
De água Cristalina
Mas de Odor forte,
Fermentando Vida!
Mostrei-te
Onde buscava
A minha Força
Abracei-te longamente
Com a Clareza,
Que fizera germinar
Dentro de Ti,
Sementes de Paz
E de Certeza!

Mansamente
Veio a Madrugada
E estava Exausta
A Minha Alma Alada!
Levei-te
Em meus braços,
Já adormecido,
Para o teu leito,
Meu querido Amigo!
Pousei tua cabeça,
Sobre o meu regaço
E envolvi-te então,
Em mais um abraço.
Cantei devagar,
E muito baixinho,
Para o teu despertar,
Chegar,
De mansinho!

terça-feira, abril 18, 2006

A Meu Anjo


Meu bom Anjo Doce,
Meu querido Amigo,
Hoje faço eu
Um pacto contigo!
Quero que repouses,
O teu corpo Alado,
Eu cuido de ti,
Carrego o teu fardo!
Hoje meu Bom Anjo,
Vou eu estar contigo,
Vou velar teus sonhos,
Ser o teu abrigo!
Hoje serei eu,
Tua companhia,
Zelarei por ti,
De Noite e de Dia.
Hoje embalarei,
Teu corpo a cantar,
Fecha os Olhos Anjo,
Podes sossegar!

segunda-feira, abril 17, 2006

Quero-te




Quero-te mais,
Do que julgas ser possível.
Quero-te muito mais.
Sinto-te na Alma,
A todo o instante, afagando-me...
Quero-te em formas
Que não inventas, que ninguém vê.
Quero-te,
com o saber de quem sabe sonhar.
Eu Sonho-te!
Sonho-te,
Como nunca ninguém Te Sonhou
Serei tua, eu sei...
Serás meu, eu sinto...
E se to digo,
Sei que não minto!

quinta-feira, abril 13, 2006

As Estrelas (parte III)

Ela ansiava a chegada do anoitecer, procurava hoje, entender as Estrelas, que há tanto tempo buscava, mas das quais pouco sabia.

Conheceu as Estrelas dos Filósofos, leu as Estrelas dos Guerreiros, sentiu o Ciclo de Vida das Estrelas e, no entanto, o seu olhar mantinha-se fixo na beleza do cair daquela Tarde-Noite.

Muito longe do olhar romântico dos filósofos, distante do sentir que unia a Amada ao seu Guerreiro, distante dos sentimentos que se equiparavam ao nascimento das Estrelas, penava que o seu sentir, se resumisse apenas ao brilho confidente das angústias e das lágrimas. Havia sido sempre assim... sempre havia procurado a sua Estrela quando a vida não lhe brilhava tanto e quando o seu caminho se esbatia em atalhos que desconhecia. Via-as como Testemunhas de Luz, de momentos de Trevas; de momentos em que na sua vida, o brilho era ofuscado por agruras e momentos de desalento.

A noite sempre fora propícia aos prantos que durante o dia, ela recusava expor. Poucos haviam alguma vez, sentido a sua dor, apenas as Estrelas, lhe conheciam o Sentir. Era na noite que ela se despia dos sorrisos, dos sentires de alegria, e se dispunha a confidenciar os seus medos, angustias e receios. Elas, as Estrelas, sempre lhe haviam surgido como algo que lhe mostrava, que apesar da imensidão e da escuridão da noite, havia sempre um motivo para brilhar. Era essa lição que ela tomava, sempre que procurava as Estrelas. Sabia que na sua vida, nada seria permanentemente escuro e que um dia, retomaria em brilhos, todos os sentires da sua vida.

A noite já há muito se instalara, o cair da tarde, dera origem a uma noite brilhante, onde a Lua não era rainha, e onde apenas as Estrelas surgiam mansas ao pensamento, cintilando no horizonte. Foi perdida no espaço, com os olhos fixos na sua Estrela, que ela agradeceu. Agradeceu os momentos de Luz, quando tudo se confinava ao espaço de um sentir sem cor. Agradeceu as lágrimas que deixou rolar, na partilha de uma dor, que nunca havia deixado transparecer, nem partilhara com ninguém. Agradeceu apenas, ter como confidente, a sua Estrela, que sabia estar sempre lá, imóvel, para escutar os seus desabafos, na sua calma imensa, infinita!

Desta vez, as lágrimas não surgiam. Apenas desta vez, ela estava ali, forte, sem mágoas, sem prantos, para mostrar à sua Estrela, que hoje, ela poderia contar com o seu cintilar para iluminar o céu do seu horizonte! Apenas hoje, ela brilharia!!! Apenas hoje, ela seria o brilho da Sua Estrela!

quarta-feira, abril 12, 2006

As Estrelas (parte II)

Torna-se, de certa forma, importante falar-vos do ciclo de vida das estrelas … E porque será? Porque, como tudo na vida, as estrelas também têm um princípio, um meio e um fim … Mas não só! … Assim podemos entender porque os nossos sentimentos, ao longo do tempo, se vão fortalecendo ou desmoronando …
Há quatro momentos na vida das estrelas … Melhor, cinco … Sim, que elas desenvolvem-se da mesma maneira que nós, os humanos …. Primeiro temos a gestação, onde duas estrelas amantes se elevam, no espaço imenso que as acasala, para dar à luz uma ou várias estrelinhas … o momento é tão intenso que o seu fulgor ofusca … é neste instante que concebemos sentimentos genuínos e esperançados …
As estrelinhas anseiam, a todo o momento, conhecer os seus pais e o espaço que os enlaça e dá-se o nascimento, rebentando o momento mais grandioso e brilhante do ciclo … os nossos sentimentos brotam para o exterior, como um sinal cintilante de um céu que aos poucos vamos edificando …
E o crescimento das estrelinhas, como será? … aprecio, particularmente, este momento… resplandecem as estrelas no espaço celeste, no auge da sua energia … do seu fôlego …. criação de saberes e experiências … aqui conseguimos ser tão ingénuos que o que é imperfeito jamais é imperfeito e o perfeito sempre será perfeito …
Desenvolvem-se as estrelinhas que sucedem, sem o planear, a estrelas … a sua luminosidade é menos activa … os nossos sentimentos maduram, de tal forma, que perdemos a capacidade de idealizar … estrelas já adultas, sentimentos fortalecidos …
E claro, como o brilho que as estrelas desferem, o seu destino é a finalização de uma vida de maior ou menor clareza … pode ser o desmoronar dos sentimentos alimentados … e este momento deve ser sentido com lágrimas derramadas pelo imenso céu … como uma CHUVA de ESTRELAS!
Autora: IDADE_DA_LOBA

terça-feira, abril 11, 2006

As Estrelas

"Hoje, irei partilhar convosco um texto a 3 mãos. Era para ter sido publicado noutro espaço, mas a minha mudança para este lugar, só agora tornou possivel esta publicação. Espero que gostem, eu confesso que adorei a experiência"

Os filósofos antigos acreditavam que tudo o que fazemos, dizemos e vivemos, materializa-se de uma forma ou de outra. As estrelas por exemplo. Eles acreditavam que… cada… uma… das estrelas… representa todas… as emoções positivas… que sentes. Quanto mais intenso é o sentimento, … mais brilhante é a estrela. Por isso quando… começas a sentir-te envolvida… uma estrela começa a brilhar. E essa estrela fica… tão brilhante… como a intensidade dos teus sentimentos. Pode começar… como um suave… e gentil… lampejo. Mas quando… começas a sentir-te mais… envolvida… essa estrela começa… a aquecer… até construir.. um brilho forte e duradouro. Os filósofos deviam ser verdadeiros românticos, porque acreditavam que se por acaso… sentisses essa atracção… e criasses esse brilho suave… enquanto estás com alguém… não só começas a sentir uma ligação fantástica com essa pessoa… como a estrela é agora… o resultado combinado… da energia… que partilham. Eles acreditavam também que o mesmo acontecia com os pensamentos. Que… se tiveres… certos… pensamentos… e ideias… uma estrela aparecerá… e a ligação com essa pessoa ficará mais forte… nesse mesmo momento.

È uma coisa incrível e poderosa… e servia para… ligar duas pessoas… quando uma delas partia numa longa viagem… ou para a batalha. Essa ligação intensa que partilhavam… permanecia com eles mesmo enquanto separados. Era então tradição… que o guerreiro desse á amada um pequeno frasco… antes de partir. Ela devia trazer sempre consigo esse frasco… e guarda-lo com fé… enquanto… olhava para as estrelas… para aquelas… que eles partilhavam. Quando chorasse pelo seu guerreiro… devia… nele… guardar as lágrimas…. Se o guerreiro sobrevivesse á batalha… veria então… o frasco. Se o frasco estivesse cheio… ele saberia… que ela tinha continuado a sentir a mesma ligação… que ele sentia. Em caso de tragédia… e o guerreiro morresse na batalha… a sua amada… devia fazer o q fosse preciso… para o encontrar. Ao chegar à sua campa… devia… abrir o frasco… e despejar as lágrimas… na sua sepultura. Isto libertava o seu espírito… e fazia-a … sentir-se quente por dentro….Depois… sempre que… olhar demoradamente as estrelas… ela saberá que… sentiu uma ligação profunda… e que o guerreiro está agora nas estrelas… fazendo-as brilhar intensamente.

Autor : Man_Of_Adventure

terça-feira, abril 04, 2006

No silêncio em que me vês

É na Brandura desta pele em que me visto,
Que te busco como a Noite busca a Lua
Que te entrego a Alma e não resisto,
A dar-me assim de Corpo e Alma Nua.

E no silêncio em que me Vês em tal entrega,
Em que me sentes o Pulsar do Coração
Tens por certo pertencer-me Eternamente,
Serei Eterna até ao fim da Imensidão.

Que passe o tempo por mim e não o sinta
Tal como a chuva cai em ciclo infindo
Buscar-te-ei sempre a todo o instante
Aninhada em teu sentir, no teu caminho!