quinta-feira, agosto 31, 2006

Sonho Meu


Sonho contigo
todos os dias
a toda a hora.


Sonho contigo
que vais voltar
sem mais demora.


Sonho contigo
cabelo ao vento
num cavalo branco.


Sonho contigo
e sem lamento
enxugo o pranto.


Sonho contigo
que me levas
em teu regaço.


Sonho contigo
e como me agarras
em teu abraço.


Sonho contigo
e acordei
já sem saber.


Sonho contigo
e não vejo a hora
de adormecer.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Ser Feliz!



Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um "não".

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...”

(Fernando Pessoa)

sexta-feira, agosto 11, 2006

Agora é a minha vez...

... e quem também vai descansar uns diazitos, sou eu! Que bem mereço!!! E para começar vou assistir ao concerto do ano: Rolling Stones ao vivo no Dragão! E lá vou eu no meu popó novinho para a invicta.
Assim, quero despedir-me de vós por esta semana.
Para quem trabalha, bom trabalho!
Para quem descansa, bom descanso!
Até para a próxima semana, meus amigos! E beijinhos salgadinhos como o Mar!

quarta-feira, agosto 09, 2006

A minha Luz



Chamavas,
Com voz rouca e hesitante,
Eras o som que me acalmava
Fresco, quente, excitante.
Chamavas,
Sussurrando os mais leves tons de cor,
A tela do coração pintavas,
Apagando a cor da dor.
Chamavas,
E mergulhei em todo o teu ser
E a vida de novo me davas
Voltei a ser Mulher,
Chamavas,
Murmurando carícias
Afagando-me com delícias
Chamavas,
Enchendo-me de alegria
Vivendo, como último, cada dia
Chamavas,
E teu murmúrio segui
Não posso ser feliz sem ti.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Onde estará o Meu Amor

Como essa noite findará...
O Sol então rebrilhará....
Estou pensando em Você..
Onde estará meu Amor...

Será que vela como eu...
Será que chama como eu...
Será que pergunta por mim?
Onde estará meu amor?

Se a Voz da Noite responder
Onde Estou eu...
Onde está Você....
Estamos cá dentro de nós...
Sós...

Onde estará meu Amor..
Se a Voz da noite silenciar
Raio de Sol vai-me levar
Raio de Sol vai-me trazer....

Se a Voz da Noite responder
Onde estou eu...
Onde está Você....
Estamos cá dentro de nós
Onde Estará meu Amor...

Se a voz da noite Silenciar
Raio de Sol vai-me levar...
Raio de Sol vai-me trazer...
Será que pergunta por mim?
Onde estará meu Amor...

"Porque hoje vou de férias, partilho convosco a letra de uma musica de Maria Bethania, que sempre me envolveu em Paz, porque é em Paz que parto, decidi deixar algo que embora não sendo escrito por mim, é sentido na primeira pessoa!"

sexta-feira, julho 28, 2006

Invocação


“Nesta Noite em que te encerro,
no meu Ciclo Lunar,
Invoco-te Noite,
Invoco-te Lua,
Para que me faças tua,
Para que te possa encontrar!”


Nesta Noite em que te invoco,
E te busco ao pensamento,
Sei que chegarás errante,
Apesar de tão distante,
Com a Brisa, ou como o Vento

Nesta Noite em que te invoco,
E me visto do teu querer,
Sei que estarás nesse lado,
A Sentir o meu chamado
Atento ao que eu te disser!

Nesta Noite em que te invoco,
Fazendo das Estrelas Manto
Sei que vais sorver os beijos
E calarás mil desejos
Embalado no meu Canto!

Nesta Noite em que te invoco,
Espero calma a Madrugada
Sei que me terás Inteira,
Numa Entrega derradeira
Na Noite por mim Sonhada!

Nesta Noite em que te invoco,
Se em Silêncio me envolver,
Saberás que é o momento,
Pinta-me em teu pensamento
Pois nunca mais me irás ter!


sexta-feira, julho 21, 2006


Será que choro por despeito
ou por medo de viver
Será que a dor no meu peito
cessará de doer...
Será que sofro por orgulho
ou por não querer esquecer
Será que a mágoa em que mergulho
afogará o meu sofrer...
Será que alucino em solidão
ou estarei mesmo sozinha
Será que a dor no coração
é apenas culpa minha...
A solidão é uma verdade
e apesar da multidão
choro em silêncio a saudade
de preencher meu coração.

quarta-feira, julho 12, 2006

Sim, Pai, Olha para mim!


Sim, Pai, Olha para mim...
Ou Lê só estas palavras.
Vê bem no que me tornei,
E Tenta olhar-me sem mágoas!

Tantas vezes me dizias,
Que havia de ser perdida,
(tantas vezes sem ter fim)
Mas hoje, olha-me bem!
Vê tudo o que consegui
Nunca dei passos mal dados
Nem tão pouco me perdi!

E a Vida, meu Pai, a Vida....
Não me deixou esquecida,
Nem me deu só desalento:
Sorria-me a cada passo,
Mas levava-me no colo
Quando havia Sofrimento.

E nas vezes que dizias,
Que eu sonhava o Impossível
(vivia num Mundo á parte,
para ti tão invisível)
Eu ficava transtornada,
Detinha-me a imaginar,
Que coisa havia surgido,
Para te roubar a Ti...
A vontade de Sonhar!

Por isso, Pai, eu te digo,
Com toda a convicção,
Conquistei este meu Mundo
Sem usar imposição.
Não me calo nem submeto,
À Vontade que alguém quer,
Eu cresci, Pai, tão sózinha...
Mas deixei de ser Menina,
Nasci...para ser Mulher!

sexta-feira, julho 07, 2006

Desencontros


Nos dias dos desencontros,
O desencanto é maior!
Cala a dor o Mar infindo,
Tece-se duro o destino.
E em gritos que se calam
Nas palavras que não digo
Dou passos lentos, seguros
Para traçar o meu caminho.
Mas a angustia que me fica
Do silêncio que emudece,
Torna o Coração bravio,
Pois de lutas sem sentido
Silencia-se e fenece!
Fica o silêncio apenas
Marejado de memórias
Lembranças boas e más
Que salpicam levemente,
De brilhos, as minhas histórias.

segunda-feira, julho 03, 2006

Eu Acredito!!!!


P - Persistencia
O - Optimismo
R - Respeito
T - Trabalho
U - União
G - Garra
A - Amor
L - Luta
FORÇA PORTUGAL

Amor Incondicional (parte II)

Isabel partia assim, tentando deixar para trás as mágoas, os pensamentos, as dores.
Enquanto o velho autocarro rumava a S. Martinho do Porto, ela despedia-se da terra que a vira nascer, e das memórias que queria aprisionar nesse espaço, que tanto a fizera feliz, mas que lhe havia causado tanta dor e sofrimento.
Recordou os tempos de menina, quando buscava o colo de sua mãe, procurando nela mil afectos, deixando-se embalar pelo som cantado da voz que lhe dava segurança e a envolvia em serenidade. Mais uma vez buscou o seu pai no pensamento. Buscou-lhe o rosto moreno, que sempre havia estado presente em tantos momentos da sua vida. Tentou sentir todos os abraços partilhados numa cumplicidade feita de anos. Ele havia sido a sua perda mais recente, ela ainda não conseguia conter as lágrimas, quando o chamava ao pensamento.
Através da janela do autocarro, vislumbrou João.
João tinha sido o seu amigo de sempre. O que tinha convertido o seu pranto em sorrisos, o que estivera sempre presente em todas as suas dores. Aquele que teimava em ficar presente em todos os instantes da sua vida, especialmente naqueles em que as palavras faltam mas onde a presença dizia mais que mil palavras.
Recordava os areais que trilharam juntos, partilhando apenas com as estrelas os segredos da alegria que sentia quando o sabia por perto. Sentia que tinha começado a conhecer a vida pelas suas mãos, tanta era a entrega, tanta a beleza que via nos seus olhos. Os olhos de João, castanhos e amendoados, permitiam que ela conseguisse ver-se reflectida neles. Muitas vezes julgou que eram dela aqueles olhos que brilhavam para si.
Era certo que o amava. Amou-o como menina, quando buscava a sua mão em jeito de desafio e depois corriam juntos, por aquela praia, que parecia infinita. Amou-o como mulher menina, quando buscava em outros homens, aquilo que João não lhe dava, mas que ela sabia fazer-lhe falta. Nessa data, teve a certeza que João jamais a amaria. Soube que ele permaneceria do seu lado como fazem todos os grandes amigos, mas que jamais a procuraria para a fazer sua, de corpo e Alma. Amou-o como mulher, quando desejou que ele a tivesse e partilhasse a sua vida com ela.
Não conseguia definir o quanto amava, sabia no entanto, que João era parte da sua vida.
Foram tantos os dias em que ela imaginou que ela a buscava. Foram tantos os dias em que ela os imaginou juntos numa entrega que apenas os seres que se fundem na Alma conseguem...Foram tantos os dias em que esperou, com o coração nas mãos o seu regresso desse Mar que tanta dor lhe causara. Tantas vezes ao ver surgir ao largo o seu barco, havia agradecido a Deus que o seu João estivesse a salvo...

Enquanto os pensamentos a envolviam, ela chegou ao seu destino. Esperavam-na os tios Fernando e Magda, que a acolheram de imediato, num abraço fervoroso. Ela abandonou os pensamentos e caminhou rumo à sua nova vida, certa, que essa mudança alinharia o seu horizonte, e pintaria os seus viveres de novas cores. Iria iniciar uma nova fase, e estava determinada a ser feliz, era isso que desejava, era isso que iria conseguir para si.
Nesse dia, á hora do jantar, conheceu o David. David, vivia num quarto alugado e partilhava a casa dos seus tios. Rapaz da cidade, de aparência bonita, trajando de forma simples mas cuidada, de conversa fácil e de onde se deduzia uma grande riqueza do saber. Durante esse jantar, depois de feitas as apresentações, os olhares de ambos cruzaram-se algumas vezes. Nos olhos do David visualizavam-se sorrisos, que alternavam com expressões faciais de traçado fino, acentuadas pela tez clara e macia.
Desde esse dia, que se permitiram cumplicidades, nascidas da urgência de partilha que Isabel sentia que necessitava, nascidas daquele sentir simples que David desconhecia e que lhe aprazia.
Isabel começou a trabalhar numa retrosaria, continuava em casa dos seus tios e mantinha por perto a presença de David. Ele ensinou-lhe a ver outro lado da vida, que se perdia nos cafés, nas noites aclaradas pelo brilho das iluminações citadinas. Ensinou-lhe o riso forçado que se consegue apenas quando o coração consegue mentir nas coisas que sente.
Quanto mais conhecia o David, mais se acreditava que estava a viver uma história baseada na novidade, na sabedoria, e no deslumbramento que ele lhe causava. No entanto, passaram-se os dias, os meses... Isabel, que havia decidido tomar o seu destino nos braços, quanto mais conhecia daquela vida, menos se identificava com ela. Lentamente, João foi voltando a ocupar espaço no seu pensamento. Voltou a lembrar as noites iluminadas pelas estrelas, voltou a recordar a sua pele marcada pelas lides do mar. Recordou as suas mãos calejadas das redes, mas que tanto a haviam acalentado em momentos de dor sentida. Relembrou os risos sinceros, de quem sorri apenas quando a alma dita e o coração pede.
Houve um dia, em que a saudade fez um apelo maior. Decidiu que o seu destino iria passar pela felicidade de ter a seu lado o Amor que sempre estivera perto, mas que agora se fazia distante. Sabia que não iria querer perder o João. Já tinha perdido demasiado da vida, já tinha perdido tempo demais. Era hora de retornar ás origens e afastar os fantasmas da sua vida. Um apelo vindo do peito, indicava-lhe o caminho de retorno a Nazaré.
Nesse dia, ela despediu-se dos tios e do David, deixando em aberto a possibilidade de voltar, caso as coisas não lhe corressem de feição. David, sabia, desde sempre que este seria o desfeche da história de Isabel. Sabia, que ela não iria voltar, por ter a certeza, que ela iria ser feliz. Sabia, que Isabel, poria nesse dia um ponto final na sua busca pela alegria.
Isabel partiu!
Durante a viagem os pensamentos não se adensavam na paisagem, não se concentravam nos caminhos, não se detinham nos rostos de quem com ela seguia, convergiam apenas para a figura de João.
Findas duas horas e pouco de caminho, ela chegou.
Foi a casa do João, para saber dele, a mãe de João com os olhos rasos de água indicou-lhe a praia onde ele deveria surgir a qualquer momento.
O entardecer estava lindo, matizado em tons de luz. Isabel desceu á praia, sentou-se na areia e ficou a aguardar surgir no horizonte, a silhueta do barco de João. Finda uma hora, lá se vislumbrou a luz de presença da embarcação que traria João de volta para si. Ela dirigiu-se para a zona de atracagem e aguardou a chegada.
Quando João saiu da embarcação trazendo em braços o quinhão da sua pesca, nem acreditava que fosse Isabel a estar ali. Como ela estava bonita!!! A noite, que tinha feito descer um véu de estrelas, pintava de luz e devolvia a Isabel todos os traços de mulher menina, que anos a fio lhe haviam dado sentido à vida. Ela sorria-lhe, e fazia-lhe sinais para que ele fosse ao seu encontro. João, deixou tudo o que tinha em mãos, e seguiu na direcção de Isabel, apertando-a nos seus braços. Deve ter sido o abraço mais uno que alguém recorda. Enquanto se abraçavam, Isabel sussurrou-lhe saudades, falta e da alegria de tornar a ter. João, nem acreditava que desta vez ela estava de volta para ele. Desta vez, e porque a vida lhe dava esta oportunidade de ver transformados em realidade os seus sonhos, falou-lhe de Amor.
Nessa noite, a praia, foi testemunha da comunhão de corpos que se fundem na Alma. Nessa Noite, a Lua de Prata, definiu a luminosidade daquele leito, que as estrelas abençoaram. Nessa noite, o Amor incondicional tinha ganho, ao tomar forma nos braços e corpos de João e Isabel.

sexta-feira, junho 30, 2006

Amor Incondicional (parte I)

" Hoje deixo-vos a primeira parte de um texto feito a duas mãos, espero que gostem dele tanto quanto eu gostei"


Não… O grito surdo ecoava apenas na sua mente… Não, voltou a abrir a boca para gritar, mas apenas a sua mente ouvia o desespero que sentia roer-lhe o ser…
Correu atrás do velho autocarro da Rodoviária Nacional até as forças lhe faltarem e cair de joelhos com a dor a martirizar-lhe a alma, com o corpo preenchido por uma dor que até aí lhe fora desconhecida. Não, voltou a tentar gritar, mas apenas a boca se abria, as grossas lágrimas que lhe caíam do rosto traziam um pouco de calor aquele rosto gelado pela chuva intensa que caia…
Conhecera-a desde sempre, cresceram juntos partilhando as ondas da Nazaré, dividindo as noites em que juntos com as mulheres mais velhas rezavam e esperavam que o mar lhes trouxesse de volta os homens que tinham ido para a faina. Dias duros, aqueles, em que para por um pouco de pão na mesa os homens davam em troca às vezes a própria vida, lutando contra um mar duro que tantas vezes recompensava com a morte quem tanto o amava…
Lembrava-se dos dias em que o mar parecia fugir para longe deixando livres os areais situados no sopé do velho forte, levando os miúdos da sua idade em romaria até aquele local para brincadeiras que pareciam não ter fim. Lembrava-se de ver chegar a noite deitado na areia da praia, lado a lado com ela, sentindo-se o miúdo mais feliz do mundo, tendo por companhia uma ilusão e as estrelas no céu que pareciam abençoar aqueles momentos.
O sol ia dormir em pores-do-sol de uma beleza impressionante, a lua acordava e dava ao mar aquela cor prateada que os pintores lutam por conseguir e que enche a tela de luz… Sensações que ele não sabia descrever, mas que a presença dela tornava realidade na sua mente e que valiam uma vida…
João nunca tivera ninguém a seu lado pois aprendera amá-la só a ela, não precisava de ter mais ninguém pois ela significava toda a sua existência. Na escola primária partilharam a mesma cadeira, dividiam o lanche, estavam sempre juntos em correrias e brincadeiras, os outros miúdos diziam que eram namorados e eles coravam até à raiz dos cabelos negando uma evidência para toda a gente, menos para eles na sua cândida inocência…
Cresceram e João tomou o caminho do mar, como fizera seu avô, como fazia seu pai. Nunca chegou a dizer-lhe que a amava mais do que tudo na vida, nunca chegou e pedir-lhe que partilhasse a vida com ele. O sol e o sal tisnaram-lhe a pele e deram-lhe músculos e a resistência de um homem ainda a viver no corpo de um menino, a vida deu-lhe outros desafios, mas nunca teve coragem para lhe confessar que a amava e que a queria sua. Nos bailes de sábado à noite via-a a dançar com todos que lhe pediam e ele, com a alma dorida pela sua falta de coragem, ficava num canto a beber cerveja atrás de cerveja, esperando que o álcool lhe desse a força que precisava para se acercar dela e arrebatá-la dos braços dos outros homens, mas isso nunca acontecia e regressava a casa com os sentimentos entorpecidos e sentindo-se o homem mais só do mundo.
Apenas a mãe sabia, as mães sabem sempre o que vai no coração dos filhos. Ela própria já dissera a João que falaria com a sua amada, mas ele proibira-a terminantemente de o fazer. Amava-a no seu desespero, na sua solidão, da forma que sabia e tentava, assim, ser o mais feliz possível, sentindo-se sempre incompleto… Isabel teve namorado atrás de namorado, parecendo procurar sempre algo mais que ninguém parecia saber dar-lhe, contribuindo para o desespero dele que continuava a achar que só existia ela no mundo e que um dia o destino acabaria por os juntar…
A pele morena dela e os seus longos cabelos negros encantavam os seus sonhos, faziam-no sonhar com o dia em que os seus corpos se juntassem na areia de uma praia qualquer onde a lua e o mar viessem abençoar tanto amor, durante tanto tempo cultivado em silêncio… Para João ela não passava de um dos seus muitos sonhos de homem simples que apenas queria acarinhá-la, abraçá-la, amá-la com todo o seu ser, dar-lhe a sua vida…
Quase pensou consegui-lo no dia em que mãe de Isabel faleceu depois de muitos dias de luta inglória contra uma maldita doença que a comeu até aos ossos. Nesse dia João sentiu-se, apesar da tristeza do momento, o homem mais feliz do mundo pois voltou a ser o eterno companheiro dela, durante todo o dia abraçou-a, partilhou as lágrimas dela, acarinhou-a, como se voltassem os dois a ser meninos em eternas brincadeiras praia fora. João foi a âncora dela durante muitos desses dias maus, foi a amarra que lhe deu forças a ela para enfrentar o mar revoltoso dos seus sentimentos e da dor que lhe cruzavam alma, foi aquilo que ele sempre quis, estar ao lado dela quando a vida lhes pusesse dificuldades no caminho. João sonhou então que, desta vez, ela seria sua, que nunca mais o deixaria sozinho na noite com as suas lágrimas por companhia e a sua solidão por destino…
João sonhou mas, uma vez mais, voltou a perder pois ela rejeitava a aproximação de toda a gente. Menos dele pois, para ela, ele significava um porto seguro para onde poderia sempre ir quando estava triste. Mais nada, apenas o seu melhor amigo…
João foi levando os seus dias, amparando a sua solidão com o muito trabalho que o mar lhe dava, um homem do mar é sempre um solitário apesar de ter o céu e as ondas por companhia. Via-a de vez em quando, o rosto amado emoldurado pelo negro dos cabelos, o corpo esguio de menina tomou formas de mulher, sempre um sorriso eterno para ele, o seu melhor amigo, ela a mulher por quem ele nutria um amor incondicional…
O mar, seu companheiro, seu amigo, seu confidente, pregou-lhe então a última partida. Os barcos saíram para o mar em dia de borrasca, era necessário continuar a trabalhar pois o mau tempo já levava muitos dias e não podiam mais ficar a aguardar dias melhores… Saíram, mas o mar alteroso reclamou a vida de alguns, o barco do pai de Isabel, anteriormente chamada de Pôr-do-Sol, depois da morte da mãe rebaptizado de Pouca Sorte fez jus ao seu nome, foi um dos que não voltaram apesar das rezas das mulheres vestidas de negro que choravam de joelhos na praia. João voltou e passou o resto da noite na praia, de mão dada com Isabel, à espera de quem nunca mais voltaria para acarinhar o rosto triste daquela menina que se fez mulher depressa de mais e à custa de muito sofrimento…
Nada mais prendia Isabel aquele mar que tão feliz a fizera, mas que tanta dor lhe trouxera. Para as mulheres, naquele tempo, não havia muito que fazer numa terra de homens do mar como era a Nazaré, ainda longe dos dias cheios que o turismo trouxe, a saída era ir para Lisboa, tinha por lá família que se prontificou a recebê-la e a arranjar-lhe trabalho, de forma que ela pudesse seguir com a sua vida…
Não, tentou João gritar enquanto o velho autocarro desaparecia na curva da estrada… Não…


Autor : Homem-de-Negro

quarta-feira, junho 28, 2006

Afectos

Surgiste inesperadamente
Em minha vida,
Vindo não sei de onde,
De que lugar,
Falaste num tom meigo
E docemente,
No teu mundo,
Pediste para eu entrar!
Nada eu te pedira,
Num momento,
Nada te omitia,
E sem esperar,
Vi surgirem
Rasgos de sorrisos
Que poucos ousariam,
Conquistar.
Depois fomos crescendo
Nos afectos,
Aumentando ainda mais
Essa partilha,
Em que o sorriso valia
Mil palavras,
Em que o teu sorriso
Era a minha vida.
Momentos houve
Em que te não via
Em que tu e tudo
Me parecia ausente.
Bastava imaginar
O teu sorriso,
Para te ter aqui...
Sempre presente!!

sexta-feira, junho 23, 2006

Quando se foge á rotina!!!

Todos nós, cada vez mais nos prendemos ás rotinas. É um facto assumido, somos em verdade seres de rotina. Fazemos tudo mais ou menos nos mesmo moldes, aproximadamente nas mesmas horas, com o mesmo sentido, enfim...
O que eu nunca imaginei, é que os outros se prendessem tanto ás nossas rotinas!!!!
Quando temos a veleidade de nos afastarmos mesmo que momentaneamente das nossas rotinas, há sempre alguém a extrapolar os nossos motivos.
Quem me conhece, sabe que eu sou uma frequentadora assídua de um determinado chat. Divirto-me lá á brava, faço a festa, deito os foguetes vou apanhar as canas...enfim, pareço um verdadeiro arraial de Sto António, ou de S. Pedro, ou de S. João (que a ultima coisa que eu quero é ficar de mal com os Santos!).
Nas ultimas 4 semanas motivos profissionais impediram-me de ter a minha rotina de Festas. Eu sou muito apologista da frase que diz “trabalho é trabalho....cognaque é cognaque”, decidi que para as Festas haveria tempo....e que o trabalho estaria inevitavelmente em primeiro lugar.
Depois de alguma interrupção, deparei com os comentários relativos á minha ausência que me deixaram abismada.
Sem ver de quê nem para quê, assim sem saber ler nem escrever....eu já estava a tratar do divórcio e até já tinha um caso com alguém do chat, e a minha vida estava pelas ruas da amargura!
Eu até sei que existe imensa gente a fazer figas para que o Céu me caia em cima da cabeça... eu sei que a minha disposição pode incomodar muita gente... eu sei que muito se fala do que não se sabe...eu sei da dificuldade que muita gente tem em ficar calada...eu sei que quem não sabe inventa...eu sei que há gente que se sente brilhar quando fala da vida dos outros...bolas...afinal até sei muitas coisas (até estou abismada comigo!!!).

Para quem me conhece e leu muitas das baboseiras que se escreveram, só venho esclarecer que estou bem.....nada de divórcios, nada de romances, nada de emoções fortes demais, nada de stresses nem depressões.... O meu único problema foi ter que refazer em 4 semanas uma base de dados de 2 anos.
Para quem fala só porque não tem mais nada que fazer, apenas posso desejar que morda a língua com força suficiente para que nunca mais se esqueça, de que não se deve falar daquilo que desconhece. A mentira tem pernas curtas e mais facilmente se apanha um mentiroso que um coxo!!! Agora sim....sinto-me muito mais aliviada! Ufaaaaaaa!!!!

quinta-feira, junho 22, 2006

Por favor não me perguntem


Por favor não me perguntem,
O que é que eu quero ser,
Quando for grande e crescer!
Posso ser Advogado,
Médico ou Veterinário,
Posso ser um Vendedor,
Padeiro ou Agricultor,
Eu sei é que posso ser,
Tudo aquilo que eu quiser!
Também sei que vou estudar,
Ler e por mim pensar,
Para poder decidir,
Tudo aquilo que vou ser,
Quando for grande e crescer.
Mas agora eu sou menino,
E só sei que quero brincar,
Com o meu irmão João,
Longas horas sem parar!
@utor: Diogo, 7 anos
(um dos meus amores)

terça-feira, junho 20, 2006

Para Ti


Vou dizer-te agora,
Os brilhos com que te pinto
Vou falar-te das estrelas
Onde te encontro!
Vou falar-te do bramir manso
Que calam palavras que não dizes.
Vou falar-te do meu coração
Que vibra a cada sentir da Alma.
Vou fechar os olhos,
Para sentir o sabor dos teus beijos.
Vou alentar-te no peito
Com as canções onde te invento.
Vou gostar apenas de saber
Que nada haverá no mundo,
Que me faça sentir o meu Mar,
No enorme desejo sentido,
De apenas Te achar!!

sexta-feira, junho 16, 2006

Dias Dificeis

Ele há dias muito difíceis!
Há dias em que nem por um milagre se arrancam sorrisos e em que tudo se veste em tons de Cinza!
Há dias em que tudo parece correr mesmo mal, e quando se julga que pior não pode ser, lá vem mais um acontecimento retirar-nos esta convicção e deitar por terra a crença que já tínhamos rasado o chão, para nos relegar ás caves do sentir!
Depois, o resultado é um mau feitio intragável, que fica à vista de todos. Ainda por cima, nestes dias, toda a gente repara que estamos mal humorados e quer saber porque carga de água nos sentimos assim. O facto de explicar-mos ou não, ainda nos irrita mais, ainda nos lembra mais que estamos fora de nós e com falta de paciência!
Não adianta murmurar coisas sem nexo, pensar em mil desabafos.... dizer o que nos vem á cabeça, apenas porque nada altera o nosso estado de espírito.
Lá começo então a culpar o mau tempo, mais a Lua, mais as estrelas...mais a carrada de gente que me tira do sério, na esperança de conseguir encontrar um escape para este estado de espirito tão avesso aos meus sentires.

A verdade, é que me sinto cansada! Muito cansada! Sinto-me uma panela de pressão, prestes a fazer rodar a carrapeta, na esperança que tudo se dissipe lentamente...na esperança que o dia que nasce me faça sentir mais calma, mais tranquila, mais serena!

Enquanto o dia não nasce, fico embalada no silêncio que me acalma. Vou tentar que a Noite me chegue nos brilhos das Estrelas que me iluminam e que sempre me indicaram os meus caminhos. Vou tentar ouvir o meu Mar com o sentir de quem quer escutar. Quem sabe, o amanhã não me trará um dia melhor!

quarta-feira, junho 14, 2006

As tuas Histórias, Margarida!

Hoje vou falar-vos da Margarida. Há cerca de um ano atrás, em Junho, encontrei a Margarida, neste mundo virtual, feito de palavras, feito de encantos. Encontrei-a pelas mãos da sua mãe, que decidiu dedicar-lhe todas as histórias do Mundo, e outras que ainda não existissem. Nessa data, a Margarida já não se encontrava entre nós, tinha partido há um ano, e a mãe Lochnessbeuty, achou que esta seria uma forma de imortalizar a sua Margarida criando um espacinho terno e cheio de carinho onde lhe contaria histórias. Foi um dos espaços mais belos que frequentei, porque o Amor era evidente em cada conto, em cada comentário, em cada traço.

Hoje, por ser Junho, e porque a Margarida, sem que eu desse conta se instalou nas minhas memórias, relembro-a aqui, e deixo-lhe um poema, feito para ela, na altura em que ainda lhe contávamos contos. Jamais deixei de pensar nela e na sua mãe, que por ser tão bela, me marcou os meus sentires para sempre!

Para a Margarida

Gosto de ti Margarida,
Não me perguntes porquê,
Nunca julguei ser possível,
Gostar de quem não se vê!

Mas não tento encontrar,
Neste afecto explicação,
Pois são desígnios da Alma,
Sentidos no Coração.

E o meu coração me diz,
Que algures no céu sem fim,
Existe uma estrela linda,
Que brilha apenas para ti!

Nós por cá vamos contando
Histórias para tu ouvires,
Contadas pela tua Mãe,
E quem sabe, até sorrires!!

E a tua Mãe, é tão linda,
Das mais lindas que conheço!
Pois de te Amar desta forma,
Tem o meu afecto e apreço.

E sinto-me bem aqui,
Pois perto de tanto Amor,
É fácil esquecer as mágoas
Que nos podem causar dor!

E por isso virei sempre,
(Sem história de momento),
Dizer de forma sentida,
Que estás no meu pensamento!

terça-feira, junho 13, 2006

É uma honra!!!!

Olá, meus queridos amigos!
Queria desde já começar por agradecer à minha irmã Igara o convite para participar neste espaço repleto de magia. Magia que vem da Alma, do Coração. Devo dizer que é uma honra voltar a estas lides bloguistas, ainda mais por ser ao lado de alguém muito, mas muito especial.
Aos amigos que já conheço do blog antigo um grande bem-hajam.
Aos que vou conhecer espero que disfrutem dos nossos sonhos, sentimentos, sentidos!
Um beijo enorme salgadinho como a àgua do mar!

quarta-feira, junho 07, 2006

Adeus!


Adeus!
Parte agora,
Não fiques parado em mim,
Leva mansos,
Sussurrados,
Os Beijos que foram dados,
Lembranças boas,
Sem fim!

Adeus!
Parte convicto,
Sem sentir hesitação,
Leva sonhos,
Partilhados,
Os Abraços embalados,
Pelo Sentir,
Do coração!

Adeus!
Parte em Silêncio,
Não me leves na memória,
Leva apenas,
As Palavras
Que entre nós foram trocadas,
Para pintar,
A tua História!